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Vanessa e Ellen Burstyn concederam uma entrevista sobre ‘Pieces of a Woman‘ para a rádio americana NPR no programa Weekend Edition, moderado pela jornalista Lulu Garcia-Navarro. Você pode ouvir o momento abaixo e conferir a transcrição logo em seguida:

LULU GARCIA-NAVARRO, moderadora:

Martha e Sean são um jovem casal que se prepara para dar as boas-vindas ao seu primeiro filho. Mas quando uma parteira substituta aparece para o parto em casa, o parto se transforma em uma tragédia indescritível. Aqui está um clipe do filme com apenas 10 segundos de duração. Mas fique à vontade para cobrir os seus ouvidos se você for sensível ao assunto.

(PEDAÇO DE ÁUDIO DO FILME, “PIECES OF A WOMAN“)

MOLLY PARKER: (como Eva) Eu preciso levá-la. Ela está azul.

VANESSA KIRBY: (Como Martha) O quê? O que você quer dizer?

PARKER: (como Eva) Vamos, bebê. Vem cá Neném.

GARCIA-NAVARRO: “Pieces Of A Woman” é o novo filme da Netflix após a perda de um filho, incluindo uma batalha legal e um relacionamento rompido entre mãe e filha, que se atrapalha enquanto tentam processar a sua dor. Vanessa Kirby interpreta Martha. Ellen Burstyn interpreta a sua mãe, Elizabeth, e as duas se juntam a nós agora. Bem-vindas ao programa.

ELLEN BURSTYN: Obrigada.

KIRBY: Oi, Lulu.

GARCIA-NAVARRO: Vanessa, vou começar com você. A cena do parto em casa – dura cerca de 20 minutos. É tudo filmado em uma cena. Mostra a sua personagem suportando contração após contração, antes mesmo de você estar totalmente ciente de que algo está prestes a dar errado. É doloroso assistir. Diga-me como você se preparou para isso.

KIRBY: Sim. Eu – foi um pouco assustador só porque eu nunca dei à luz. E, você sabe, eu pensei que se errasse por um segundo, o público seria retirado do filme e pareceria uma versão cinematográfica de um nascimento. E então comecei a assistir o máximo de documentários que pude. E, novamente, parecia tão editado. Não me deu uma ideia adequada de como fazer uma cena ininterrupta de trabalho de parto de 30 minutos com toda a sua fisicalidade, beleza e horror e, você sabe, tudo em sua totalidade. E então comecei a escrever para obstetras. E uma delas me permitiu ir e segui-la em uma enfermaria de parto no norte de Londres. E passei muitos dias com eles. E numa tarde milagrosa, uma mulher veio à enfermaria e concordou em me deixar ficar com ela no quarto enquanto ela dava à luz seu bebê. E não foi apenas totalmente transformador para mim como pessoa, mas de jeito nenhum eu poderia ter atuado isso se não tivesse esse presente dela, na verdade.

GARCIA-NAVARRO: E aí, claro, essa tragédia acontece no filme. O bebê morre. As razões médicas não são claras. Ellen, como a sua personagem intervém para tentar retificar a situação que, em última análise, não pode ser consertada? Explique quem é a sua personagem e por que o relacionamento mãe-filha é tão importante.

BURSTYN: Bem, estou interpretando a mãe de Martha. E, você sabe, eu sinto que sei como é para uma pessoa sofrer uma tragédia e como é a dor. Ela não está chorando. Ela não está falando sobre isso. Ela não sofre da maneira que eu esperava. Isso cria uma barreira entre nós que precisamos superar. E nós realmente fazemos. No final do filme, passamos por uma experiência incrível juntas e estamos experimentando um novo nível de algo – amor, talvez – em nosso relacionamento.

GARCIA-NAVARRO: Conexão, talvez.

BURSTYN: Conexão é uma boa palavra, sim.

GARCIA-NAVARRO: O que me surpreendeu assistindo isso é que acho que estamos vendo mais histórias agora que são sobre mulheres e sobre essas experiências essenciais que não receberam um tipo completo de tratamento cinematográfico antes. E eu estou me perguntando, você sabe, quando você leu o roteiro, o que ressoou para você?

BURSTYN: Eu acho que é uma declaração muito importante que você acabou de dizer e algo pela qual estou realmente apaixonada, na verdade. E desde a página três, quando comecei a ler o nascimento, e então, você sabe, a página 30, ainda estava acontecendo, eu sabia que era algo especial porque de repente me ocorreu. E fiquei com vergonha de admitir que nem havia percebido realmente que o nascimento é tão raramente retratado na tela. E então você meio que pergunta por quê? E isso é escrito por uma mulher que tem a sua própria experiência de perder um bebê. E tanto o nascimento quanto a perda de um filho vêm muito de sua própria experiência e daquela experiência feminina. E agora estou muito sintonizada com as muitas, muitas cores da experiência feminina que não vimos representadas na tela. E é emocionante e muito importante.

GARCIA-NAVARRO: Ellen, a história foi inspirada na prisão na vida real de um médico e uma parteira húngara que defendiam partos em casa, que são malvistos por lá. A escritora Kata Weber e o seu marido, o diretor, Kornel Mundruczo, também perderam um filho. Como essas coisas entraram no filme e na direção, você acha?

BURSTYN: Acho que inspirou o filme. Kata havia feito algumas anotações em um caderno. E Kornel leu e encorajou-a a, você sabe, escrever mais. E isso se tornou uma peça que eles fizeram na Polônia. E então Kornel realmente queria fazer um filme com ela. Então eu acho que é a transformação de uma experiência real em uma bela obra de arte.

GARCIA-NAVARRO: Durante a entrevista, perguntei sobre a co-estrela Shia LaBeouf. No filme, o seu personagem fica zangado e abusivo em relação à esposa. Achei difícil assistir por causa das recentes alegações de abuso contra LaBeouf em seus relacionamentos na vida real. Ellen Burstyn interveio para responder.

BURSTYN: Ah, você sabe, se alguém viu o seu filme “Honey Boy”, onde ele interpreta o seu pai, e outro jovem ator o interpreta quando criança, você pode ver os seus danos. E ele está trabalhando em si mesmo. É a sua jornada. Não quero comentar sobre isso, mas no que diz respeito a apoiar as mulheres que se apresentam e contam a sua história agora, absolutamente, 100%. Mas, você sabe, Shia é um caso singular. Ele é um ator brilhante e uma pessoa danificada. E ele está fazendo o seu melhor para se tornar todo o seu ser.

GARCIA-NAVARRO: Por falar em contar histórias, temos visto nos últimos meses mais e mais figuras públicas como Chrissy Teigen e Meghan Markle falarem sobre o preço que a perda de um filho custa – novamente, histórias que nunca ouvimos antes. Você vê esse filme como parte dessa conversa?

BURSTYN: Eu tive dois amigos, casais, dois casais diferentes que perderam os seus bebês. E os dois casamentos terminaram depois porque é muito insuportável olhar para o seu parceiro. E você está sentindo a sua própria dor, mas também está sentindo a deles. E Kata e Kornel não se separaram. E a minha opinião pessoal é que o fato de escrever e poder falar sobre isso e transformá-lo em uma obra de arte foi um salvador para eles. É útil falar sobre isso. É útil compartilhar isso.

GARCIA-NAVARRO: Vanessa.

KIRBY: Espero que possamos nos mover em direção a uma sociedade onde tenha espaço para a dor de outras pessoas e tenha empatia e o direito de ser capaz de compartilhar e se sentir conectado a pessoas que também passaram por qualquer tipo de perda, em vez de colocá-la para baixo do tapete ou mantê-la atrás de portas fechadas – e eu realmente espero que possamos – quem quer que tenha passado por isso possa se sentir um pouquinho menos sozinho, sabendo que a sua experiência pode ser representada de uma forma ou de outra.

GARCIA-NAVARRO: Essas são Vanessa Kirby e Ellen Burstyn. Seu novo filme é “Pieces Of A Woman”. Já está na Netflix. Agradecemos muito a ambas.

BURSTYN: Obrigada.

KIRBY: Muito obrigada, Lulu.

  • Fonte I Traduzido e Adaptado por: Laura I Equipe do VKBR





Pieces of a Woman‘ ganhou muito burburinho para premiações pela atuação destemida de Vanessa Kirby como Martha, uma mulher de luto pela perda de seu bebê no parto. Desde a estreia no Festival de Cinema de Veneza em setembro, a conversa também se concentrou em uma cena que retrata o nascimento – que foi filmada em uma tomada ininterrupta de 24 minutos enquanto a sua personagem se movia pelo apartamento, incluindo dentro e fora da banheira.

E embora fosse intimidante filmar, Kirby disse ao podcast da Variety, Awards Circuit, que na verdade foi um alívio fazer em uma tomada. “Algumas pessoas ficam meio surpresas quando eu descrevo dessa forma, porque acham que seria mais assustador, mas honestamente, sinceramente, não é”, disse ela. “Eu estava definitivamente com mais medo da ideia de parar para almoçar [e depois] voltar, ter que entrar no banho e tentar me colocar no nível que ela poderia estar. Meu maior medo era que a qualquer momento isso parecesse falso.

Kirby falou ao podcast sobre o seu trabalho em ‘Pieces of a Woman‘, agora na Netflix, e em ‘The World to Come‘, que também estreou no Festival de Cinema de Veneza e está passando no Festival de Cinema de Sundance este mês antes da estreia em 12 de fevereiro. Kirby falou sobre a sua jornada como atriz, tendo uma festa do pijama com a co-estrela Ellen Burstyn e os seus próximos projetos, incluindo mais filmes de ‘Missão: Impossível‘. Ouça clicando aqui.

A atriz britânica é mais conhecida do público por seu trabalho nas duas primeiras temporadas de ‘The Crown‘ e em filmes como ‘Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw‘ e ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout‘. Mas Kirby começou a sua carreira no palco. “Percebi que o que aqueles três anos na universidade me deram foi total permissão para falhar”, disse ela. “E oh, meu Deus, eu falhei. Eu fui terrível.

Ela disse sobre o seu primeiro trabalho diante das câmeras: “Fiquei totalmente apavorada a cada minuto. Eu era um coelho nos faróis, na verdade.

Kirby acabou sendo escalada como Princesa Margaret ao lado de Claire Foy como a Rainha Elizabeth II nas duas primeiras temporadas de ‘The Crown‘. Mas a Netflix ainda era um streamer relativamente novo, e ela não estava preparada para o sucesso internacional que o programa se tornaria.

Havia uma inocência nisso”, disse ela, observando que a segunda temporada já estava em produção quando a primeira foi ao ar. “Eu realmente pensei que a minha mãe iria gostar e que a minha avó pudesse adormecer. E eu ficaria feliz com isso, você sabe,” ela brincou. “Então, quando saiu, e de repente estava recebendo uma resposta tão calorosa e adorável, acho que todos nós ficamos realmente maravilhados. E então, quando Claire, ela trouxe o seu Globo de Ouro para o set, foi tão surreal.

Quando Kirby foi oferecida o papel em ‘Pieces of a Woman‘, ela disse que “Eu me senti pronta para fazer um papel principal. De repente pensei, acho que é a minha vez agora. Acho que me sinto pronta para fazer isso, sabendo qual era essa responsabilidade, e não a subestimando.

O filme é dirigido por Kornél Mundruczó, a partir de um roteiro de Kata Wéber. Os dois são parceiros e sabendo que a história era extremamente pessoal para eles, Kirby admite que sentiu uma responsabilidade extra em acertar. Ela falou com muitas mulheres que perderam os seus filhos em diferentes estágios da gravidez e disse que “literalmente não poderia ter feito sem elas“.

O drama íntimo também é estrelado por Ellen Burstyn como a mãe de Martha, e Kirby disse que ficou maravilhada ao conhecer a atriz pela primeira vez. Burstyn, entretanto, rapidamente a deixou à vontade.

Ela fez uma coisa incrível onde disse: ‘Querida, você quer vir para uma festa do pijama? Vamos fazer uma festa do pijama!’ E foi o que eu fiz”, disse Kirby. “Fizemos uma festa do pijama e ficamos acordadas até às 3 da manhã, conversamos a noite toda. Ela preparou o jantar para mim. Foi muito fofo. E isso ajuda a amenizar um pouco.

  • Fonte I Traduzido e Adaptado por: Laura I Equipe do VKBR





NETFLIX QUEUE: Quando criança, Vanessa Kirby e seus dois irmãos foram arrastados para peças de teatro em Londres a mando de seu pai, um médico amante de Shakespeare, e sua mãe, uma editora de revista. “Eu estava tão entediada”, admite Kirby. Então, quando ela tinha 11 anos, tudo mudou. “Eu estava assistindo a uma produção de The Cherry Orchard com Vanessa e Corin Redgrave”, lembra ela. “Lembro-me de sentar na cabine e apenas olhar para eles, e depois sair da peça sentindo como se tivesse vivido uma vida diferente por um segundo. Eu não conseguia afastar esse sentimento. Eu pensei, isso é algo em que eu quero estar envolvida.

Duas décadas depois, Kirby inspirou o público com as suas próprias performances. Ela estrelou em revivals do West End como ‘Uncle Vanya‘, ao lado de Tobias Menzies, e na adaptação off-Broadway de ‘A Streetcar Named Desire‘ com Gillian Anderson. Agora, com o filme ‘Pieces of a Woman‘ de 2020, ela se firma como uma das melhores atrizes da atualidade. Retratando uma mãe que perde a sua filha recém-nascida, Kirby oferece uma imagem implacável de tristeza. O Festival de Cinema de Veneza lhe deu as principais honras pelo papel no outono passado, e a inevitável conversa sobre o Oscar começou.

Pieces of a Woman‘ é elaborado a partir da experiência pessoal de seus criadores, escrito por Kata Wéber e dirigido por seu parceiro, Kornél Mundruczó. (A dupla trabalhou anteriormente no vencedor do prêmio do Festival de Cinema de Cannes, ‘White God‘.) O projeto foi originalmente produzido como uma peça, ambientada na Polônia e com foco em uma mulher chamada Maja. Ao longo do primeiro ato, Maja lamenta a morte de seu bebê durante um parto em casa que deu errado. No segundo ato, ela confronta a sua mãe controladora em um jantar em família. Quando Wéber e Mundruczó decidiram expandir a história em um filme, eles se ambientaram em Boston e chamaram a sua protagonista de Martha. Os atos originais da peça encerram a luta de Martha enquanto ela navega em seus relacionamentos e decide processar a parteira que cuidou do parto.

Na época em que Kirby recebeu o roteiro, ela já tinha uma indicação ao Emmy em seu currículo – por seu papel como Princesa Margaret nas duas primeiras temporadas de ‘The Crown‘ – bem como sucessos de bilheteria como a franquia ‘Missão: Impossível‘ e ‘Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw‘. Ela ansiava por um projeto que unisse a intimidade do teatro com o alcance de um filme. Ela leu ‘Pieces of a Woman‘ em uma hora e sabia que havia encontrado o que estava procurando.

Esta era uma história que eu não tinha visto antes na tela. Achei que era um retrato incomum de luto – ela não o está expressando externamente”, diz Kirby sobre Martha, que parece sempre composta enquanto desce para uma depressão esmagadora. “Eu sou uma pessoa expressiva externamente, e o desafio seria ter tanta coisa acontecendo por dentro e tanta dor, e ainda para um transeunte, parecer estar bem. Eu estava procurando por uma parte que me assustava. Isso me apavorou ​​completamente. Todos nós temos um impulso para empurrar uma parte de nós mesmos que não sabíamos que estava lá.

Fiel a esse impulso, Kirby enfrentou a primeira tarefa assustadora do filme – uma cena de 24 minutos em que Martha entra em trabalho de parto e dá à luz seu bebê. Foi uma experiência desconhecida para a atriz: “Eu pensei: Quem sou eu para carregar isso na tela?” Por fim, ela conseguiu acompanhar uma obstetra por alguns dias e testemunhar um parto. Ela também falou com mulheres cujos recém-nascidos morreram.

Eu não poderia ter feito o filme sem essas mulheres e percebi como há pouco apoio para elas”, diz Kirby. “Alguém me disse: ‘Sinceramente, senti que tinha mais cuidado quando meu cachorro foi sacrificado do que quando perdi meu filho’. Cada uma delas disse: ‘Ninguém nunca me perguntou sobre isso’. Eu não podia acreditar na coragem delas em falar comigo sobre isso. Senti que, embora estivesse apavorada e pudesse errar, precisava tentar”.

Apenas 24 horas após receber o roteiro, Kirby deixou o apartamento em Londres que divide com a sua irmã e duas amigas e voou para Budapeste para se encontrar com Mundruczó. “Eu estava tipo, Uau, isso é paixão”, lembra o diretor. Ele e Wéber ficaram igualmente impressionados com a visão de Kirby sobre Martha. “Para mim, Martha é uma verdadeira heroína que ousa desafiar as expectativas das pessoas ao seu redor”, diz Wéber. “Acho que Vanessa representa esse tipo de pessoa na vida real. Ela me lembra um pouco as estrelas de cinema da Idade de Ouro de Hollywood. Ela é tão emocional, com uma vida interior profunda.

Enquanto Kirby estudava a sua personagem, os cineastas abordaram Ellen Burstyn e a convidaram para interpretar a mãe de Martha. A vencedora do Oscar imediatamente disse sim e abriu a sua casa em Nova York para quatro dias de ensaio. As co-estrelas se deram tão bem que Burstyn convidou Kirby para uma festa do pijama. “Fizemos uma festa do pijama e conheci quem ela é”, lembra Burstyn. “Vanessa é uma pessoa adorável, educada, inteligente, sensível, divertida e divina. Acabamos nos conectando imediatamente.” Kirby acrescenta: “Agora falamos todos os dias. Ela é como uma família.

Em dezembro de 2019, os cineastas e o elenco se reuniram para filmar em Montreal, que dobrou para Boston. Os primeiros dois dias de produção foram dedicados à cena do parto. Todos concordaram que seria filmado em uma tomada para torná-lo o mais real possível. O resultado é diferente de tudo que o público já viu; como diz Kirby, “Até documentários sobre nascimento são editados e censurados”. A atriz também desistiu de qualquer vaidade: “Eu arroto muito, o que vai ser muito difícil para algumas pessoas assistirem. Mas, meu Deus, todos nós arrotamos.” E como muitas mulheres dando à luz: “Martha sentiu-se muito mal. Ela ia vomitar a qualquer minuto ou fazer cocô. Mas isso faz parte do ser humano. Devemos mostrar a vida na tela.

A dedicação de Kirby à verossimilhança continuou ao longo da produção. Ela usava fraldas pós-parto sob os figurinos durante a renderização das semanas após o parto de Martha, e ela é mostrada aplicando ervilhas congeladas nos seios na tentativa de Martha de interromper a produção de leite. Apesar de sua alegria natural de viver, Kirby, que diz ter chorado nos braços de Mundroczó após a cena do parto, percebeu-se absorvida pela realidade do papel: “Uma mulher em particular com quem passei muito tempo, Kelly, perdeu a sua bebê, Luciana, de uma forma bem parecida com a Martha. Ela falou sobre como é a sensação mais solitária do mundo. O filme todo, acho que todos nós sentimos isso.

Quando a produção terminou, os atores emergiram para uma ovação metafórica de pé. Martin Scorsese assinou contrato com o filme finalizado como produtor executivo, e o Festival de Cinema de Veneza marcou a estreia do filme. O festival caiu em meio às restrições do COVID, e como Kirby se lembra, “Todos os dias nós pensávamos, ‘Isso não vai acontecer, vai?’ E aí, no avião, olhamos um para o outro e dissemos: ‘Vai!’ Todos nós nos sentimos profundamente gratos e privilegiados por podermos sentar em um cinema, assistindo ao que colocamos tanto amor. Foi como um sonho louco.

Quanto a ganhar o prêmio de Veneza de Melhor Atriz, Kirby diz que pensou imediatamente nas mães que compartilharam as suas histórias com ela. “Se este filme for a figura de segurar a mão de alguém que já passou por isso, se gerar qualquer tipo de conversa em torno disso e da perda em geral, isso seria maravilhoso”, diz ela. “Durante as filmagens, sempre parecia que era sobre aquelas mulheres, e quando o prêmio aconteceu, era sobre elas também”.

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Ontem (04.01), Vanessa participou do programa ‘The Tonight Show Starring Jimmy Fallon‘ para divulgar ‘Pieces of a Woman‘, filme no qual ela interpreta a protagonista Martha e que estreará na Netflix no dia 07 de janeiro. Durante a entrevista, ela comentou sobre o clube do filme que ela iniciou durante a quarentena, uma audição que deu terrivelmente errado, entre outros assuntos, além de uma cena exclusiva do longa ter sido exibida. Confira a participação completa legendada abaixo e logo em seguida screen captures:

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Durante a primeira meia hora do filme ‘Pieces of a Woman‘, Vanessa Kirby finge dar à luz. Ela respira pesadamente, xinga, se contorce nua na banheira. Mas o bebê está morto. Isso não é um spoiler: o filme é sobre o seu processo de luto de um ano enquanto a sua personagem, Martha, continua lidando com a dor e a culpa. O filme não bagunça. Kirby vai deixá-lo abalado enquanto segue para receber inúmeras indicações de Melhor Atriz para adicionar ao prêmio que ela ganhou pelo papel no Festival de Cinema de Veneza no ano passado.

O problema para Kirby era que ela nunca tinha dado à luz. E, ao contrário de, digamos, dirigir um carro, trazer vida ao mundo não é fácil de imitar se você nunca o fez. Retratar a personagem complexa da Princesa Margaret para duas temporadas de ‘The Crown‘? Simples em comparação com a agonia sofrida no parto. Diante disso, Kirby fez o que qualquer pessoa normal faria e contatou o Hospital Whittington em Londres para perguntar se ela poderia observar um nascimento. E uma mulher disse que sim.

Eu entrei de uniforme”, lembra Kirby. “Pedimos permissão e, inacreditavelmente, ela disse que sim. Não tenho certeza se eu faria. Alguma atriz aleatória lá.” A mulher estava drogada? “Não! Sem drogas. Mas ela estava viajando, se é que você me entende. De qualquer forma, sentei-me ao lado dela na cama e acenei vagamente. Eu estava pasma. A mãe dela também estava lá. Quase não respirei por seis horas.” Ela ofereceu incentivo? “Não! Você pode imaginar? ‘Vá em frente, garota!’ Não, eu fiquei em silêncio. Foi uma conquista maior do que já vi alguém fazer. Havia fórceps.

A certa altura, ela olhou para mim”, continua Kirby. “No meio de uma contração difícil. Eu mandei um beijo para ela. Por quê? Tão vergonhoso. E quando ele nasceu, as enfermeiras me trouxeram para vê-lo sair. Eu estava chorando muito. Todas as cores voltaram para a mãe. Foi sagrado. E então fui apresentada, e eles disseram, ‘Oh Deus, Princesa Margaret!’

Kirby, 32, é uma companhia boa e despreocupada, exibindo um nível decente de incredulidade sobre as coisas ridículas que faz para viver. Nesse aspecto, ela não é diferente de Claire Foy, a sua coestrela em ‘The Crown‘. E como Foy, que assumiu o papel de Lisbeth Salander depois de sua passagem como Rainha, Kirby está encontrando maneiras de garantir que as pessoas não a conheçam apenas por interpretar a realeza. ‘Pieces of a Woman‘ fará isso.

Assim como o seu papel em ‘The World to Come‘, no qual ela interpreta uma entediada mulher americana de meados do século 19 que escapa de uma vida sufocante de pioneira tendo um caso lésbico com uma vizinha.

Ela está assistindo a nova temporada de ‘The Crown‘ com os seus pais. Eles fazem dois episódios todos os domingos. Ela está aliviada por estar fora disso. Quando ela estava na série, os eventos retratados não eram tão recentes na consciência pública como são agora, então houve menos escrutínio do roteiro, nenhuma grande controvérsia sobre fatos e ficção, nenhum ministro pedindo advertências pré-crédito.

Eu não sabia nada sobre a Princesa Margaret”, ela admite. “E desde a década de 1950, tudo que você podia encontrar eram pequenos clipes de suas coisas de abertura, como barcos. Tive de encontrar momentos em que o seu microfone foi deixado ligado e ela fez um comentário fulminante. Eu teria me sentido assustada se fosse mais perto de hoje. É mais atual. Mais polêmico.

Nós nos encontramos no mês passado para um café – Kirby adorou estar conversando cara a cara depois de um ano de Zoom. Ela começou no teatro (foi indicada três vezes para o prêmio Ian Charleson para jovens atores em papéis clássicos), então gosta das reações que as pessoas recebem e dão pessoalmente. Mesmo que tivéssemos que nos encontrar fora e estivesse um pouco frio. Ela está toda de preto. Isto é, ela diz, o seu uniforme, em vez de, digamos, uma roupa que combine com a desgraça de seus dois novos filmes.

Pouco depois de nos conhecermos, foi anunciado que Shia LaBeouf – que interpreta o parceiro de Martha, Sean, em ‘Pieces of a Woman‘ – estava sendo processado pela estrela pop FKA Twigs por agressão sexual e violência. Em uma resposta, LaBeouf disse que tinha sido “abusivo” consigo mesmo e com os outros e “lamentava“. Em um mundo ideal, os supostos crimes de um ator não apareceriam em uma entrevista com sua coestrela. No entanto, no filme, Sean tenta forçar Martha a fazer sexo que ela não deseja. Ele também joga uma bola de medicina em seu rosto. Ambos ecoam claramente as alegações que Twigs fez contra LaBeouf e, naturalmente, muitos assistirão ao filme pensando exatamente isso.

Solicitada sobre um comentário após a nossa entrevista, ela simplesmente disse: “Estou com todas as sobreviventes de abuso e respeito a coragem de qualquer pessoa que diga a sua verdade. Em relação às notícias recentes, não posso comentar sobre um processo legal em andamento.

Kirby guarda a sua taça Volpi – o prêmio de atuação que ganhou em Veneza – na casa que divide no sul de Londres com a sua irmã e duas amigas. “É enorme”, diz ela sobre o troféu. “Como um copo de natação.” Algumas semanas atrás, amigos pediram para vê-lo, assim como o BAFTA que ela ganhou por ‘The Crown‘. Kirby ficou parada, observando-os tirar fotos, e teve um momento. Quando adolescente, ela fez um teste para atuar em um banco, para estar em um vídeo para entrevistados. Ela deveria usar terno, mas não tinha, então, em vez disso, usou o uniforme escolar de sua irmã. Ela não conseguiu o emprego, mas se lembra do dia com nitidez. Assim como ela se lembra das três vezes em que foi rejeitada na escola de teatro e pensa neles agora simplesmente como momentos, momentos ruins, a caminho de amigos chegando e posando com os seus troféus.

Ela tem uma atitude semelhante com as meninas que a intimidaram na escola. “Na verdade, trabalhei muito nisso”, diz ela. “É importante avaliar o porquê. Por que você? Posso olhar para trás e pensar em mim mesma como uma vítima, ou posso dizer: ‘Foi porque eu era muito sensível’. Não tinha resiliência.” Ela faz uma pausa. “Eu não sei. Mas grande parte disso foi encontrar maneiras de me sentir aceita, e me senti realmente aceita fazendo drama. Você pode bagunçar como um idiota e ninguém vai te julgar por isso.

Isso tudo é muito “crescimento pessoal”, mas deve ser divertido para ela pensar que aqueles valentões estão olhando para ela agora? Como Margaret. Chamada de “a melhor atriz de palco de sua geração” pela Variety. Como Miss Julie no National Theatre. Stella em ‘Um Bonde Chamado Desejo‘, com Gillian Anderson. “Não faço ideia. Você não pensa sobre isso, não é? Eu realmente não sei.

Que tal com Tom Cruise no extremamente agradável ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout‘? Aquele em que Cruise luta contra um helicóptero. Ela está atualmente gravando uma sequência com mais precauções Covid-19 do que acrobacias, mas ela parece animada por estar de volta e não tinha lido a entrevista que Thandie Newton deu este ano sobre ‘Missão: Impossível II‘, na qual ela admitiu que estava “com tanto medo de Tom… um indivíduo muito dominante”. A experiência de Kirby com Cruise foi a de um homem que parou para se desculpar com figurantes que encontrou durante as filmagens.

Existem outras coisas em sua mente. “Você viu no cinema? Que estressante”, ela deixa escapar quando eu digo a ela que assisti ‘Pieces of a Woman‘ em tela cheia, ao contrário de como a maioria – em casa na Netflix. Ela diz que é estranho que vimos tão poucos nascimentos na tela, mas estamos inundados de mortes, e ela tem razão. Nós nos sentimos desconfortáveis? Provavelmente. Também tem a ver com nudez, que os censores consideram pior do que a violência. Na verdade, a morte de uma criança tende a ser tratada apenas em filmes de terror como ‘Inverno de Sangue em Veneza‘ ou ‘Hereditário‘ – “Isso não é revelador?” – mas, eu sugiro, a falta de bebês nascidos na tela tem a ver principalmente com os homens estarem atrás das câmeras.

Totalmente,” ela diz. “E depois de ler o roteiro, comecei a falar com mulheres, e em todos os lugares alguém tinha uma história semelhante. Aconteceu na minha família. Amigos de amigos. O que me atingiu foi que as pessoas não tinham encontrado uma maneira de resolver isso. Não é algo que seja fácil, coletivamente, para alguém falar, e isso foi desconcertante para mim. Esse nível de dor e tristeza? É tão importante ser compartilhado. Talvez alguém assista por engano, sem saber do que se trata, e então se volte para a pessoa ao lado e diga que aconteceu com ela, mas ela nunca falou sobre isso. Eles saberão que não foram apenas eles.

O pai de Kirby, Roger, é um cirurgião de próstata aposentado, tão conhecido que a sua página na Wikipédia é atualmente mais longa do que a de sua filha. Ele adora teatro, então a carreira que ela escolheu estava bem para ele, mas, eu pergunto, arriscando um pouco de analista amador nela – “Vá em frente…” – se essa nova urgência por um trabalho que, bem, importa é ela tentando fazer algo importante como o seu pai fez?

Talvez“, ela concorda. “Eu não tinha certeza de qual era a minha parte além de servir a uma história, mas estou entrando em uma fase em que sinto que tenho uma responsabilidade e algo a dizer, já que tudo o que fazemos é digerido pelas pessoas. É por isso que assisto a filmes – para mudar a forma como penso sobre algo ou para me fazer reconhecer uma parte de mim mesma. Leva muito tempo para você descobrir como não apenas fazer parte de um grande todo.

E como o seu papel no filme de ação ‘Hobbs & Shaw‘ – um spin-off de 2019 de ‘Velozes e Furiosos‘ – se encaixa nisso? “Bem, foi um desafio para mim mesma”, diz Kirby, com cautela, diplomaticamente. “Foi diferente do que eu tinha feito antes. E muitas pessoas amam esses filmes. Muito mais do que um pequeno indie sobre a morte de um bebê. E então eu acho, no ecossistema do mundo, se fazer aquele filme significa que mais pessoas vejam ‘Pieces of a Woman’? Bem, isso é muito importante para mim.

Pieces of a Woman‘ estará na Netflix a partir de quinta-feira.

Fonte I Traduzido e Adaptado por: Laura I Equipe do VKBR





Vanessa Kirby teve alguns anos repletos de ação – literalmente. Depois de um papel decisivo como Princesa Margaret nas duas primeiras temporadas de ‘The Crown‘, o caminho previsível para alguém com os seus traços delicados e elocução exata teria sido interpretar papéis britânicos de sangue azul após papéis britânicos de sangue azul. Em vez disso, ela optou por personagens duronas, interpretando a traficante de armas / psicopata Viúva Branca em ‘Missão: Impossível — Efeito Fallout‘, e a irmã durona / ajudante de Jason Statham, Hattie, em ‘Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw‘.

Sempre quis interpretar mulheres que são bagunceiras, apaixonadas, fora de controle, muito reais – como Gena Rowlands em ‘Uma Mulher Sob Influência’”, diz Kirby via Zoom de Londres, onde ela cresceu filha de um cirurgião e uma editora de revista. “Ela e Jessica Lange foram as minhas heroínas. Eu estava esperando pela minha vez de interpretar esse tipo de força emocional da natureza.

Ela está conseguindo essa chance agora. Em setembro, Kirby surpreendeu no Festival de Cinema de Veneza por seus papéis em dois indies sombrios: uma vanguarda casada que se apaixona por sua amiga em ‘The World To Come‘ e uma mãe angustiada em ‘Pieces of a Woman‘.

Kirby ganhou o prêmio de Melhor Atriz em Veneza por este último, que estreia no dia 7 de janeiro na Netflix, após uma exibição nos cinemas por uma semana em dezembro. A abertura do filme a mostra interpretando uma mulher grávida que entra em trabalho de parto em casa com o marido e uma parteira pouco competente. Em uma tomada contínua, Kirby grita, chora, arrota e quase vomita por 30 minutos.

Estou tão feliz que você trouxe à tona o arroto!” diz Vanessa de 32 anos. “Essa é uma espécie de filosofia minha, resumida pelos arrotos: algumas coisas na vida são simplesmente complicadas, intragáveis ​​de assistir. O nascimento pode ser grotesco; mas é completamente mágico e sagrado. Eu sinto que é a vida. Assisti uma tonelada de filmes sobre nascimentos, mas eram versões higienizadas. Por fim, escrevi às obstetras sobre observar. A médica que fez o parto do bebê de Katherine Waterston (sua coestrela em ‘The World to Come’) finalmente disse que eu poderia acompanhar um nascimento. Fiquei sentada ali por cinco horas, participando de um muito difícil – fórceps, sem analgésicos. A mulher que deu o parto se sentiu muito mal, muito enjoada. Então, estranhamente, quando estávamos filmando eu em trabalho de parto, realmente me senti nauseada – e apenas arrotei! Não queria! Não pensei nisso até depois de Veneza, quando as mulheres começaram a vir até mim dizendo: ‘Obrigada pelo arroto!’

Em seguida, Kirby está voltando para Veneza para filmar ‘Missão: Impossível 7 e 8‘. Ela não tem nada além de elogios para o colega Tom Cruise, e ela diz que os dois acham hilários os relatos de seu suposto romance fora da tela.

Qualquer mulher solteira com quem ele filma instantaneamente se torna a sua namorada de tablóide”, diz Kirby, que está solteira após se separar de seu namorado ator de longa data, Callum Turner, em fevereiro. “Mas Tom é realmente o homem mais adorável e trabalhador do show business, com uma grande ética de trabalho. E ele conta uma ótima história de Kubrick. Aprendi muito com ele.” Ela acrescenta: “Ele e eu estávamos rindo no telefone outro dia sobre eu ser a sua futura ex-esposa”.

  • Fonte I Traduzido e Adaptado por: Laura I Equipe do VKBR





LONDRESVanessa Kirby nunca deu à luz, mas depois de filmar o seu primeiro papel principal em ‘Pieces of a Woman‘, ela se sente como se tivesse.

Sempre que vejo uma mulher grávida agora, ou alguém me diz que acabou de dar à luz, eu sorrio”, disse ela em um chat de vídeo recente. “Sinto-me com elas.

Os dois dias inteiros que ela passou filmando uma cena escaldante para o filme podem explicar essa confusão psíquica, assim como o modo como Kirby, de 32 anos, mergulhou no papel.

Em ‘Pieces of a Woman‘, que estreia em 07 de janeiro na Netflix após um lançamento limitado nos cinemas em dezembro, Kirby interpreta Martha, uma mulher grávida cujo parto em casa dá terrivelmente errado.

Esse acontecimento crucial no início do filme se desenrola em uma cena de tomada única de 24 minutos que começa com as primeiras contrações de Martha e termina em tragédia. A câmera segue Martha, o seu parceiro Sean e uma parteira, Eva (Molly Parker), ao redor do apartamento do casal, condensando a agonia do parto em menos de meia hora.

Em setembro, o filme estreou no Festival de Cinema de Veneza, onde Kirby ganhou o prêmio de Melhor Atriz e começou a ser citada como uma candidata ao Oscar.

Kirby disse que queria retratar o trabalho de Martha da forma mais autêntica possível. “Isso foi assustador, porque eu não queria decepcionar as mulheres”, acrescentou ela.

Então ela começou a pesquisar. Assistir a muitas representações de nascimento na tela não deixou Kirby mais perto de entender a experiência, disse ela, uma vez que foram censuradas e higienizadas.

Então fiquei ainda mais assustada, porque percebi que tinha a responsabilidade de mostrar o nascimento como ele é, não como é editado em documentários”, disse Kirby.

Ela conversou com mulheres que deram à luz e mulheres que tiveram abortos espontâneos, bem como parteiras e ginecologistas-obstetras em um hospital de Londres. Enquanto ela estava lá, uma mulher chegou com contrações e concordou em deixar Kirby observar o parto.

A experiência de assistir aquele parto de seis horas “mudou-me profundamente”, disse Kirby. “Cada segundo do que estava acontecendo com ela, eu apenas absorvi.

E ela começou a entender como interpretar Martha. A mulher no hospital entrou em um estado primitivo de animal, disse Kirby. “Seu corpo estava assumindo e fazendo isso, então isso me ajudou muito para a cena”, acrescentou ela.

Em dois dias, aquela longa tomada foi filmada seis vezes. Em entrevista por telefone, o diretor, Kornél Mundruczo, que também trabalha com teatro e ópera, disse que prepará-la foi como preparar uma cena de dublê: “Muito planejamento, mas você não sabe o que realmente vai acontecer”.

No final, cada tomada era diferente, disse Kirby: as conversas de Martha e Sean mudaram, a forma como o corpo de Martha reagia às contrações era distinta a cada vez.

Acho que foi provavelmente a melhor experiência de carreira que já tive”, disse Kirby sobre aqueles dois dias de filmagem. Inspirada pelo trabalho de parto que observou, ela tentou pensar o menos possível, disse ela, e não julgar o que o seu corpo estava fazendo na cena.

Após uma década de trabalho, ‘Pieces of a Woman‘ é a primeira vez que Kirby lidera um longa-metragem, e é um papel ousado e memorável que a mostra flexionando os seus músculos de atuação. Mundruczo disse que precisava de uma atriz no ponto exato da carreira de Kirby: “Onde todas as habilidades já estão lá, mas o medo não“, disse ele. “Quando você está bem estabelecido, é cada vez mais cuidadoso”.

Kirby vem aprimorando essas habilidades desde a adolescência. Ela cresceu em um subúrbio rico de West London, onde frequentou uma escola particular só para meninas e escapou das pressões sociais da vida adolescente no palco, em peças e clubes de teatro juvenil.

Cada vez que eu entrava naquele espaço, de repente me sentia não julgada, apenas me sentia aceita”, disse Kirby. “Você não precisava ser nada ou fazer nada certo.

Depois de se formar na faculdade, onde estudou literatura inglesa, Kirby foi aceita na prestigiosa Academia de Música e Arte Dramática de Londres em 2009. Alguns meses antes do início do semestre, ela recebeu três papéis de palco por David Thacker, um ex-diretor residente na Royal Shakespeare Company, que era então o diretor artístico do Octagon Theatre em Bolton, uma cidade no norte da Inglaterra.

Venha para Bolton, ele disse a ela, e você aprenderá mais com esses papéis – que incluíam Helena em ‘Sonho de Uma Noite de Verão‘ e Ann Deever em ‘All My Sons‘ – do que em três anos de escola de teatro. Kirby concordou e agora descreve aquela temporada como o seu treinamento.

Aprendi tudo lá”, disse ela. Trabalhar com Thacker a ensinou a confiar em si mesma, a encontrar o seu próprio caminho como atriz, em vez de esperar que outras pessoas lhe digam o que fazer, disse ela.

Kirby tem trabalhado continuamente desde então, com papéis principais no West End, bem como papéis coadjuvantes de alto nível em filmes e dramas de fantasia da TV britânica. Ela estrelou como Princesa Margaret nas duas primeiras temporadas de ‘The Crown‘, uma performance que lhe rendeu um prêmio BAFTA. Sua Margaret fervilha com energia inquieta, um contraste ideal para a contida Rainha Elizabeth de Claire Foy.

Em ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout‘ de 2018, ela interpretou a Viúva Branca, uma corretora glamorosa do mercado negro que carrega uma faca na liga e sabe como usá-la. Ela está programada para aparecer em mais duas sequências de ‘Missão: Impossível‘.

Mesmo que esses papéis coadjuvantes trouxessem elogios e prêmios da crítica, Kirby não estava com pressa para encontrar o seu primeiro papel principal na tela, disse ela. Ela interpretou muitos personagens complexos no palco: mulheres como Rosalind, a heroína ferozmente inteligente de ‘As You Like It‘ de Shakespeare. Ela estava esperando por uma protagonista na tela em que pudesse sentir um pouco da “magia” de Rosalind, disse ela, o que tornava o desempenho “como voar quando você pisa no palco“.

Eu nunca consegui encontrar esses papéis na tela”, disse ela. Então ela esperou, usando as suas partes menores como oportunidades para observar e aprender, perguntando a Anthony Hopkins sobre a sua arte quando trabalharam juntos no drama da TV britânica ‘O Fiel Camareiro‘ e observando como Rachel McAdams foi generosa no filme “Questão de Tempo“, ela disse.

É adequado, dada a formação teatral de Kirby, que ‘Pieces of a Woman‘ tenha começado a vida como uma peça, escrita por Kata Wéber, parceira de Mundruczo, que se baseou na própria experiência do casal de perder um filho. A peça ‘Pieces of a Woman‘, que se passa na Polônia, consiste em apenas duas cenas: o nascimento e um jantar explosivo com a família de Martha que ocorre na metade da adaptação para o cinema. Sua estreia em 2018, dirigida por Mundruczo no teatro TR Warszawa em Varsóvia, foi um sucesso, e a produção ainda faz parte do repertório da companhia.

Por volta da época em que Mundruczo completou 40 anos, cinco anos atrás, ele começou a desejar um público maior para o seu trabalho, disse ele, então deixou de trabalhar em alemão, húngaro e polonês; ‘Pieces of a Woman‘ é o seu primeiro filme em inglês. Ao adaptar a peça para a tela grande, Mundruczo a ambientou em Boston, disse ele, porque sentiu que a cultura católica irlandesa da cidade refletia a paisagem social conservadora da Polônia.

A perda de uma gravidez raramente é apresentada no entretenimento na tela. Mundruczo disse que espera que assistir às experiências de Martha incentive “as pessoas a serem corajosas o suficiente para ter a sua própria resposta para qualquer perda“, disse ele.

Nos últimos meses, a modelo Chrissy Teigen e Meghan, Duquesa de Sussex, (escrevendo no The New York Times), compartilharam histórias de suas experiências com a perda da gravidez. Kirby disse que, enquanto pesquisava para o papel antes das filmagens, ela descobriu que as mulheres que já haviam experimentado uma ficavam “realmente muito aliviadas em falar sobre isso” e apreciavam que alguém quisesse entender.

Pieces of a Woman‘ foi filmado em apenas 29 dias no inverno passado, mas Kirby disse que levou meses para ela se livrar da experiência de interpretar Martha. “Eu sabia que o meu trabalho era sentir isso, sentir o que ela sentia”, disse ela. Carregar esse grau de empatia foi “realmente difícil e perturbador“, disse ela, mas acrescentou que o privilégio de passar um tempo dentro da experiência de outra pessoa é o que ela ama em seu trabalho.

O próximo projeto de Kirby será coestrelando como Tallie, uma das duas esposas de fazendeiros que se apaixonam nos Estados Unidos no século 19 em ‘The World To Come‘, um drama meditativo da cineasta norueguesa Mona Fastvold previsto para lançamento teatral no próximo mês.

E depois disso? Kirby disse que estava lendo scripts, em busca do próximo papel que a assustará. Ela está procurando por uma “história não contada sobre mulheres“, disse ela, que será tão urgente para contar quanto Martha e Tallie fizeram.

Que expressão é essa?” ela disse. “Sinta o medo e faça isso de qualquer jeito.

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Fonte I Traduzido e Adaptado por: Laura I Equipe do VKBR





A divulgação de ‘Pieces of a Woman‘, filme no qual Vanessa estrela como Martha, iniciou nesta semana para diversos veículos midiáticos. Sendo assim, decidimos reunir todas as entrevistas que estão sendo divulgadas em um post para que vocês possam conferir todas elas enquanto o longa não estreia na Netflix no dia 07 de janeiro! Você também pode conferir as screen captures dos vídeos na nossa galeria clicando aqui!

OBS: Conforme formos legendando as entrevistas, iremos atualizar essa publicação.

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Vanessa Kirby lembra-se do exato momento em que percebeu o que poderia ser atuar. O fato de ter ocorrido durante a apresentação de uma produção “provavelmente terrível” só para meninas de “Hamlet” não vem ao caso.

Eu estava interpretando Gertrude, provavelmente com as roupas da minha mãe – uma porcaria completa”, diz ela com uma risada. “Lembro-me de estar em uma cena e então saindo para a escola. Eu estava andando para cima e para baixo no corredor antes de voltar para outra cena, e foi a primeira vez que aconteceu quando de repente eu estava pensando os pensamentos [de Gertrude]. Eu estava pensando, no momento presente, os seus pensamentos reais sobre o que realmente estava acontecendo. E então tornou a cena seguinte muito mais fácil, porque houve um momento borrado onde essa ideia de [um] personagem estar fora de você ou alguém que você tem que se tornar desapareceu de alguma forma.

Eu percebi que…”, ela continua, “Oh, está dentro de mim”. Kirby tem perseguido aquela sensação lúcida desde então.

Você pode conseguir isso por apenas dois segundos em toda a produção de um filme, ela admite, e mais apenas se tiver sorte. Mas ela acredita que a sua realização deve ser sempre o objetivo principal do ator: alcançar aquele espaço liminar onde você não precisa mais pensar em si mesmo como o personagem e você pode, em vez disso, falando em “Hamlet“, apenas ser. Kirby descreve como entrar “naquela zona” em que você está tanto dentro do personagem quanto ele está dentro de você.

Eu sempre penso nisso como um processo muito estranho de encontrar a pessoa, porque a pessoa meio que existe no espaço abstrato, eu acho, entre você e as palavras na página”, diz ela, “que também vieram por meio de um escritor e a sua própria experiência. E então há esse terceiro espaço no meio que você tem que entrar, e isso leva muito tempo.

Para o seu novo filme, ‘Pieces of a Woman‘ de Kornél Mundruczó, que lhe rendeu a Taça Volpi do Festival de Cinema de Veneza de Melhor Atriz no início deste ano, Kirby, segundo ela, teve de “entrar” em três elementos distintos. Os dois primeiros, estar grávida e dar à luz, são experiências compartilhadas por mulheres em todo o mundo. Mas o terceiro exigia que ela tocasse em algo mais silencioso, uma espécie de irmandade triste da qual ela acha que não é falada o suficiente: “como é realmente perder um bebê logo depois de nascer.

Isso envolveu encontrar e passar muito tempo com as mulheres que haviam passado por isso, o que foi um grande privilégio, na verdade”, diz ela, observando a sua bravura. “Quase todas elas disseram que é tão difícil, porque a sociedade não quer ouvir sobre isso. Essas mulheres não tiveram voz, realmente, em sua experiência desse nível de luto ou perda, porque a sociedade não quer que elas falem sobre isso.

Ela cita a modelo-empreendedora Chrissy Teigen, que recentemente compartilhou a sua experiência de perda de gravidez online e foi imediatamente submetida a respostas carregadas de todo o espectro, de adulação e gratidão a vitríolo total. “Isso só mostra que é realmente difícil ouvir falar de uma perda como essa”, diz Kirby. “Eu me senti muito honrada por fazer parte desse filme dessa forma, porque acho que ele fala sobre o luto universalmente.

Enquanto ela conversa via Zoom pouco antes do Dia de Ação de Graças (embora isso provavelmente não importe muito para Kirby, que é britânica), é apropriado – e apropriadamente desarmado – que a conversa comece com um assunto tão pesado quanto a perda de bebês e gravidez, já que o filme sim, também. Escrito por Kata Wéber, o longa da Netflix (que será transmitido a partir de 07 de janeiro de 2021) mostra quase que imediatamente uma sequência de trabalho de parto de 25 minutos diferente de qualquer outra que você tenha visto no cinema antes – uma perspectiva intimidante que também fazia parte do apelo para Kirby. Ela confessa, no entanto, que a sua resposta inicial ao lê-la foi um “Oh, Deus” mais visceral.

Vemos a morte tantas vezes na tela e não vemos o nascimento dessa forma. Também não me lembro de ter visto um filme que tratasse da perda de um bebê de forma tão direta”, diz ela. “Fazer o filme realmente estabeleceu uma espécie de referência para mim, de querer encontrar coisas que não foram vistas ou expressas na tela antes que precisam ser [vistas para] gerar conversas ao redor delas, representar um lado de ser mulher que não vimos. Essas duas coisas realmente me impressionaram – e me assustaram muito.

Ao discutir o seu trabalho, o medo surge um pouco para Kirby – ou melhor, como lidar com isso. Aos 32 anos, ela já teve mais sucesso do que muitos atores. Mais notavelmente, ela recebeu uma indicação ao Emmy em 2018 por seu trabalho em ‘The Crown‘, interpretando a Princesa Margaret nas duas primeiras temporadas da série antes de entregar a tiara para Helena Bonham Carter. Ela também estrelou em ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout‘, garantindo um papel na sétima e oitava parcelas da franquia, e possui vários créditos teatrais de prestígio.

Mas uma angústia inconfundível ecoa por trás de tudo que Kirby faz. Fazer as pazes com esse sentimento continua a ser a força vital de sua carreira. “Um dos meus amigos disse algo como, ‘É sempre melhor dizer ao seu medo [que] você pode se juntar a mim no banco do passageiro. Você não vai dirigir o carro, mas é bem-vindo para estar aqui’”, diz ela. “É inevitável que você se sinta ansioso ou nervoso, eu acho. Não posso simplesmente desligar o meu medo do palco ou minha ansiedade antes de entrar no palco, e quanto mais tento e luto contra isso, pior fica. Eu tenho que dar as boas-vindas e dizer, ‘Está tudo bem; você pode estar aqui. Você não vai estragar o show.’

A ferramenta mais útil que Kirby encontrou para combater a ansiedade, os nervos, o medo – qualquer palavra que você queira usar para essa ocultação proibitiva – é a preparação antiquada. Conhecer as suas linhas por dentro e por fora, de frente para trás, de lado e em saltos proverbiais, dá a ela a liberdade de aparecer e estar presente.

É um tipo estranho de reconciliação ter sido preparada tão cuidadosamente que você pode agir por impulso, mas ela considera crucial. “Aprendi isso da maneira mais difícil”, diz ela com uma risada. “Às vezes, eu abordaria trabalhos como, eu só vou ver o que acontece se eu não aprender minhas falas – apenas improvisar no dia. Talvez seja mais espontâneo e impulsivo, e mais irreverente. E não foi. Oh, meu Deus, não, não foi.

Enquanto a tentativa e o erro informam o seu trabalho preparatório agora escrupuloso, Kirby dá crédito onde é devido e admite que emprestou a abordagem em parte de alguém que sabe um pouco sobre como entrar em um personagem. Claro, se você trabalhou com Anthony Hopkins, você faria o mesmo.

Eu tive algumas pequenas cenas nessa coisa brilhante que ele estava fazendo”, disse Kirby sobre o filme para televisão de 2015 ‘The Dresser‘. “Ele tem um método que sempre usa, onde diz as suas falas em voz alta para si mesmo milhares de vezes antes de fazer qualquer filme. Ele vai marcar em seu script [e] registrar, porque ele disse que você não pode ser verdadeiramente livre a menos que esteja realmente em seu corpo. Você não será capaz de correr o risco e dizer, ‘OK, estou sentindo o estado de espírito desta pessoa’ para que as linhas possam sair da maneira que quiserem [porque estão] vindo desse sentimento, ao invés de ‘Eu tomei uma decisão, aprendi minhas falas, meio que sei como vou dizê-las, e vou aparecer e dizê-las de uma maneira preparada.’

Em outras palavras, você atinge um estado em que não precisa mais estar consciente de suas “escolhas”, porque elas serão ações externalizadas feitas pelo personagem internalizado. Para realmente conseguir essa simbiose, Kirby explica, você tem que praticar uma empatia quase implacável a fim de “absolver todos os seus julgamentos” da pessoa que você está interpretando.

Atuar é um trabalho tão engraçado, não é? Como você pensa informa como você se sente. E então como você se sente, consequentemente, informa como você pensa”, ela postula. “Há uma conversa entre os seus sentimentos e pensamentos o tempo todo. E então é quase como tentar entrar nos pensamentos de outra pessoa – então você não precisa se preocupar com como a pessoa está parecendo ou os maneirismos ou qualquer outra coisa, porque você construiu isso de dentro, e é isso que acontece naturalmente. A melhor experiência de atuação, realmente, é quando você está pensando como aquela pessoa sem estar consciente de si mesmo.

O Catch-22, especialmente para Kirby, é que o medo, ou mesmo a autoconsciência, bloqueará os receptáculos da empatia. Se você, como ator, pretende em qualquer ponto se proteger das experiências de seu personagem, você pode estar jogando fora uma peça crucial do quebra-cabeça dele.

Como ator, você não quer se proteger. Acho que é quase o oposto”, diz ela. “Acho que sou menos tímida, por exemplo, quando estou interpretando alguém, quando tento entender outra pessoa ou alguma outra parte da humanidade. Você corre mais riscos, e meio que invade partes de si mesmo que nem todos os dias sabia que existiam, porque você tem que sentir o que eles sentem.

Essa é uma das razões pelas quais Kirby cria playlists para as suas personagens. Além de abafar o ruído literal no set entre as configurações, investigando o que o gosto musical de um personagem pode ser – ou por que ele iria ouvir uma determinada música em um determinado momento – abre uma janela em sua psicologia. Em suma, a música pode construir uma ponte improvisada entre ela e a pessoa dentro de si. Também pode ajudá-la a assumir um papel particularmente formidável, o medo que se dane.

Essa ideia de ser intimidada por alguma coisa – eu procuro por ela. Eu digo, ‘Oh, meu Deus. Não tenho nenhuma ideia sobre isso. Não sei como é dar à luz, e adoraria saber mais sobre isso’”, diz ela. “Claro, o meu pai é um cirurgião de câncer, então cresci com ele salvando as vidas das pessoas. Sempre achei que atuar é uma coisa tão pública, mas realmente não é tão importante quanto o que muitas pessoas estão fazendo no mundo. Mas quando você está em um grupo de pessoas que querem explorar ou entender algo que talvez ainda não saibamos por meio de nossas experiências vividas, às vezes parece uma grande honra.

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Pieces of a Woman‘ da Netflix é uma montanha-russa emocional. Martha (Vanessa Kirby) e Sean são um jovem casal de Boston que decidiu dar à luz em casa seu primeiro filho. Como a parteira deles está lidando com outro parto, ela manda outra mulher (Molly Parker) para ajudar no parto. A tragédia acontece. A parteira enfrenta acusações criminais. E o relacionamento de Martha e Sean fracassa enquanto eles tentam lidar com a catástrofe. Somando-se a seus problemas está a mãe autoritária de Martha (Ellen Burstyn), uma sobrevivente do Holocausto que não consegue entender por que sua filha não procura ajuda ou mesmo chora por sua perda.

O filme, dirigido pelo cineasta húngaro Kornél Mundruczo e escrito por sua parceira/colaboradora Kata Wéber, é baseado na peça de 2018 com o mesmo nome. “Pieces of a Woman” estreou em setembro passado no Festival Internacional de Cinema de Veneza, com Kirby vencendo a Copa Volpi de Melhor Atriz. Recentemente, os cineastas, Kirby e Burstyn se juntaram ao produtor executivo do filme, Martin Scorsese, para uma longa e frequentemente apaixonada discussão no Zoom. Aqui estão alguns trechos da conversa:

“NÃO ERA MAIS UM FILME.”

Martin Scorsese: Fiquei muito impressionado com esta viagem, por assim dizer. Eu tenho três filhas. Dois de outro casamento e minha filha mais nova acabou de completar 21 anos. Então, ao longo dos anos, o relacionamento de mães e filhas se tornou muito, muito importante para mim e fascinante, um mistério fascinante. Algo com que lido constantemente. Parece que os primeiros 45 minutos do filme são a cena do parto. Eu senti como se tivéssemos passado por isso. Que eu realmente experimentei isso. A natureza do trabalho da câmera, a escrita é tal que me senti imerso no filme. Não era mais um filme. Eu estava imerso nessas pessoas.

Kornél Mandruczo: Você tocou em um dos principais núcleos do filme. O que gostaríamos de criar é apenas um filme que você sente e apenas cria emoção. E para ser honesto, criar filmes emocionantes não é nada sexy hoje em dia. Não estamos falando de emoção, falamos de clichês. Mas criar algo muito emocional foi muito importante. É uma história muito pessoal para nós. Com Kata e eu experimentando algo assim. Claro, não o que está no filme, mas temos esse sentimento.

Kata Wéber: Enquanto escrevia a história, de alguma forma, senti que é uma maneira de falar sobre [a nossa experiência]. Que era a minha maneira de falar sobre isso e de me aproximar também do Kornél. Nossa experiência é muito diferente do que está no filme, mas ao mesmo tempo [é o mesmo] sentimento de isolamento de não estar falando sobre algo. Acho que é o mesmo com mulheres que sofrem abortos espontâneos, natimortos, morte infantil súbita. É um grande reino de coisas que nos conectam de alguma forma.

PREPARAÇÃO DE VANESSA

Vanessa Kirby: Foi tão assustador abordá-la. De certa forma, o silêncio de Martha realmente representava como é difícil falar sobre [a perda de um filho] e como a sociedade acha isso difícil. Então, o seu tipo de jornada é encontrar a sua voz e, de certa forma, encontrar uma conexão com o seu bebê. Há tantas mulheres com quem conversei que disseram que os três minutos que seguraram o bebê [antes de morrer] foram o maior amor que já sentiram e que nunca os deixa. Eu sou uma pessoa bastante expressiva externamente, então eu realmente tive que tentar descobrir como confiar que se eu colocasse tudo dentro, isso seria comunicado ao público.

MS: Na verdade, estamos presos a ela. Tudo o que você está mencionando sobre expressão, o eu interior e a emoção interior, está tudo aí. Você conseguiu isso no mais leve piscar de olhos. É incrível como você comanda essa ação, aquela expressão do que está acontecendo dentro de você. Não podemos colocar em palavras, mas está lá.

KM: O ritmo do corpo [de Vanessa] também é muito importante, porque isso também mantém você animado para a personagem. Ela é uma personagem transcendente. Precisamos desse tipo de poder na personagem. Ela entregou de forma incrível durante as filmagens.

“AME, AME O TRABALHO. ESTÁ CERTO.”

MS: Ellen, então você é a mãe e me parece que ela é uma ótima personagem. O que é fascinante para mim é que eu a entendo, eu acho. [Ela vem de] outra geração… Outro ponto de vista de como viver a vida e quais são os valores da vida. Ellen, é uma performance tão notável, tão incrível. Ame, ame o mundo. Está certo. Cada olhar, cada gesto… Como vocês trabalharam juntas? Você e Vanessa?

Ellen Burstyn: Antes de [Kornél e Kata] partirem para Montreal [para gravar o filme], eles vieram ao meu apartamento por quatro dias – Kata, Kornel, Vanessa e eu. Trabalhamos no roteiro, lemos, discutimos sobre ele e fizemos o que você faz. Vanessa e eu fizemos um esforço concentrado para nos conhecer e nos conectar. Ela passou a noite. Fizemos uma festa do pijama, conversamos e nos conectamos. Foi muito fácil para mim sentir-me maternal em relação a Vanessa e amá-la, na verdade, porque ela é um belo espécime de ser humano, mas também de artista. Então, me agradou amá-la. Acho que fizemos uma conexão real e nos importamos profundamente.

  • Fonte I Traduzido e Adaptado por: Laura I Equipe do VKBR





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