O Vanessa Kirby Brasil é um fã-site dedicado à atriz britânica Vanessa Kirby, sendo a primeira e mais completa fonte de informações sobre a própria no Brasil. Feito de fãs para fãs, o VKBR não possui fins lucrativos, tampouco mantém afiliações com Vanessa ou sua equipe, amigos e familiares. O intuito do site é unicamente expandir o trabalho da Vanessa, por meio da divulgação de notícias. Fique a vontade para desfrutar de todo o nosso conteúdo e volte sempre!

Ontem (18.12) pela noite, foi exibido o programa The Graham Norton Show com a participação de Vanessa, que estava lá para divulgar o seu mais novo filme, ‘Pieces of a Woman‘. Ela comentou sobre o longa, que teve um clipe exclusivo divulgado, uma situação curiosa que ocorreu durante uma das performances da peça ‘Um Bonde Chamado Desejo‘ e sobre a sua preparação para interpretar a Princesa Margaret em ‘The Crown‘ (personagem pela qual foi elogiada pelo ator George Clooney em sua entrevista), além do fracasso do seu irmão em tentar fazer um gancho de casacos. Confira a cena de ‘Pieces of a Woman‘ e o principais momentos da noite legendados abaixo:

HOME > CAPTURAS DE TELA | SCREEN CAPTURES > 2020 > DEC 18: THE GRAHAM NORTON SHOW

Graham_0284.jpg Graham_2002.jpg Graham_2105.jpg Graham_3136.jpg





No mês passado, Vanessa e Ellen Burstyn concederam uma entrevista (que você pode conferir traduzida clicando aqui) sobre ‘Pieces of a Woman‘ para o Clayton Davis da Variety. Hoje (07.12), em comemoração ao aniversário de 88 anos de Burstyn, ele divulgou um trecho da entrevista gravada em seu canal no Youtube. Confira abaixo legendado e logo em seguida as capturas de tela do vídeo na nossa galeria:

HOME > CAPTURAS DE TELA | SCREEN CAPTURES > 2020 > ‘PIECES OF A WOMAN’ VARIETY INTERVIEW

Variety_014.jpg Variety_029.jpg Variety_056.jpg Variety_107.jpg





Durante o 77º Festival de Cinema de Veneza, o New Europe conversou com o diretor húngaro Kornél Mundruczó, que apresentou o seu filme ‘Pieces of a Woman‘ em competição. A estrela de cinema britânica Vanessa Kirby, bem conhecida da série de TV ‘The Crown‘, foi elogiada por seu desempenho impressionante no filme. Kirby está sendo mencionada como uma das primeiras candidatas a levar para casa o Oscar de Melhor Atriz em 2021.

Mundruczó é um talentoso cineasta em ascensão da Hungria, considerado um dos cineastas não americanos em ascensão que está deixando a sua marca em Hollywood e acompanhando o sucesso inovador de Alfonso Cuarón, Alejandro G. Iňàrritu, Guillermo del Toro, Steve McQueen, Yorgos Lanthimos e Bong Joon-ho.

Pieces of a Woman‘ conta a história de Martha e Sean Carson, um casal de Boston à beira da paternidade. Para eles, tudo mudará irrevogavelmente durante um parto domiciliar sob a orientação de uma parteira perturbada que enfrenta acusações criminais por negligência. Isso dá início a uma odisseia de um ano para Martha, que deve navegar em sua dor enquanto trabalha em relacionamentos turbulentos com o seu marido e a sua mãe dominadora, junto com a parteira difamada publicamente que ela deve enfrentar no tribunal.

NEW EUROPE (NE): Como você incluiu a presença de personagens sólidos e o importante tema da feminilidade no filme?

KORNÉL MUNDRUCZÓ (KM): Quero dizer, Martha (personagem de Vanessa Kirby), aos meus olhos, é uma verdadeira heroína. E também o que se seguiu é importante, como ela não usa os mesmos padrões familiares e como ela está prestes a seguir em frente com as tragédias, conforme elas foram empurradas sobre ela. Ela mudou e ela encontrou a sua própria saída. Em uma situação em que você perdeu alguém, você sentiria solidão e isolamento infinitos e, claro, se você vier de uma família de sobreviventes do Holocausto, o fato de que você foi capaz de sair bem vivo e ter sobrevivido à tragédia é a trégua final. Além disso, se você não for capaz de esconder isso (ou seja, o passado trágico) bem o suficiente em público, existe essa demanda quando se trata da aparência de que você tem que ser perfeito. Você tem que ser capaz de não errar, etc. Você vai saber, assim, que é um fracasso quando ela se depara com a perda do bebê e o que aconteceu com ela. A coisa mais corajosa feita por Martha é que ela é provocada a dizer “sim, foi minha falha“, e quase se orgulha dessa falha. Ela é capaz de falhar, como todos nós, e é assim que ela mudou o padrão familiar e não se vinga como o que estava sendo forçado pela família. E sobre o tema de mulheres fortes, acho que mulheres são fortes, não é uma questão para mim. Eu realmente sinto que é algo como uma “Nova Onda”, de alguma forma, como nos meus filmes favoritos dos anos 1970-1980 com Rainer Werner Fassbinder, filmes com Hanna Schygulla ou Luis Buňuel, com Catherine Deneuve e todas aquelas grandes histórias que tiveram tanto destaque de energia feminina. Essas personagens femininas são tão independentes, são tão fortes. Então, é importante sublinhar que os meus outros filmes, incluindo ‘Deus Branco‘ (2014), têm uma heroína.

NE: Como você tomou a decisão de filmar o longo, realista e gráfico processo de parto durante os primeiros 30 minutos do filme?

KM: É uma cena muito complicada no sentido de que a ideia principal era que eu queria estar o mais próximo possível de Martha e de seus sentimentos e dar a experiência ao público. Usei palavras grandes como meio que permite que todos fiquem um pouco mais duros na frente da tela para entender que são tantos os sentimentos que a preenchem. No final, sabe, nós filmamos (a cena do nascimento) no primeiro dia, que foi uma loucura, mas foi a última tomada do primeiro dia. Demos o palco ou a pista de dança para eles (os atores) ensaiarem, e foi assim que aconteceu. Preparamos todo o artificial (os adereços do filme), os atores e a câmera. Demorou 25 minutos e, no final, você sentia um alto nível de realidade.

NE: Como você escolheu Shia Labeouf como protagonista masculino?

KM: Eu realmente queria um ator peso-pesado para o papel do marido. Meu medo era que se eu não escolhesse alguém muito forte, toda a história seria um pouco embaraçosa, porque ter um ator capaz de retratar esse tipo de casamento e relacionamento difícil e rochoso é tão crucial. Com Shia, acho que ele tem uma presença incrível na tela, mas ele nunca realmente faz esse tipo de personagem terno, como uma pessoa normal. Ele é mais como um extremista, de alguma forma, na tela, e ele faz isso de forma incrível. O que é fascinante para mim, e também quando dei o roteiro a ele, pensei: “Shia, esse não é o papel principal que você costuma interpretar. É um personagem terno, um homem absolutamente apaixonado por sua esposa. E é isso que está acontecendo.” Ele estava realmente falando sério e pronto. Trabalhar com Shia foi uma experiência muito, muito apaixonante e muito bonita e isso mostra o quanto ele se dedicou a um personagem. Então, a certa altura, descobri que ele sabe mais sobre o personagem do que eu. Foi uma experiência muito gratificante. Ele é um verdadeiro artista.

NE: Como foi o mesmo processo com Vanessa Kirby?

KM: Com Vanessa, foi um pouco diferente. Ela não foi ideia minha. Os produtores me ligaram uma vez e disseram: “Oh, tivemos uma reunião com Vanessa Kirby” e eu disse, “Ok, eu amo ‘The Crown’. Eu amo a princesa Margaret. Mas vê-la como Martha? Bem, ok, dê o roteiro para ela e vamos ver.” E eles deram o roteiro para ela e ela voou para Budapeste em 24 horas. Ela leu três vezes em 24 horas, nos sentamos e achei aquele encontro absolutamente fascinante. Eu encontrei nela exatamente o tipo de grande ícone feminino como Deneuve ou Schygulla – o mesmo tipo de nervosismo dos anos 1960 que aquelas mulheres tinham. Esse tipo de clarividência europeia é algo realmente perfeito. Ela nos surpreendeu todos os dias com o quão boa ela era, mas ao mesmo tempo, ela é uma escolha muito nova. Você nunca a assistiu em um papel como este, então eu também fiquei muito feliz que, pelo menos para mim, ela representa um elemento tão desconhecido no filme que é como uma outra versão de como este filme saiu.

NE: Por que a família é o assunto crucial do filme?

KM: Para mim, foi interessante que uma família seja um universo. Se você fizer algo muito pequeno e muito íntimo, terá mais espaço para nuances. E fazer um pulôver em Martha dentro desta família acidentada, que é, para ser honesto, uma família bastante turbulenta – esse foi um assunto muito bom. Mas é uma grande tradição. É um drama familiar. Se você está pensando em Ingmar Bergman ou em qualquer diretor com grandes nomes, todo mundo segue essa grande tradição de drama, literatura e filmes posteriores. Eu amo aqueles filmes com raízes na família e voltei às minhas raízes europeias, o que é tão importante. Contar uma história tão verdadeira quanto uma família e projetar essas perspectivas é tão fundamental quanto o próprio gênero.





Empire UK: Como o novo drama ‘Pieces of a Woman‘ encenou um nascimento excepcionalmente estressante de 22 minutos sem cortes.

A CONCEPÇÃO

Pieces of a Woman‘, a história de um parto em casa que sofre complicações, teve origem em uma peça de teatro na Polônia. No palco, a sequência de nascimento durou “45 minutos“, diz o diretor húngaro Kornél Mundruczó. “Era como quando você tem uma pintura bonita, mas antes disso você faz muitos estudos. A peça era um pouco como um estudo [para o filme]”. Mas a perspectiva de adaptar essa sequência em filme, diz Mundruczó, “me assustou muito. Quer dizer, é tão fácil fazer uma cena de parto ruim. Para ser franco, há tantas.”

Os cineastas fizeram as suas pesquisas – conversando com parteiras, mães e extraindo memórias pessoais. “Como pai de três filhos, tenho essa experiência. A perspectiva de um pai não está muito longe da perspectiva de um cineasta – você é um estranho, mas tem todas as emoções.” No final das contas, foi decidido fazer toda a cena (que acontece antes mesmo de o título de abertura ser exibido) em uma única tomada ininterrupta de 22 minutos; a abordagem cinemática incomum foi projetada para imitar a hiper-realidade nebulosa do próprio parto. “Esse tempo cinematográfico parece horas que você gasta em um parto”, diz Mundruczó. “É como um miniuniverso. Cada minuto tem o seu próprio significado.

O PLANO DO NASCIMENTO

Muito tempo foi gasto nos detalhes técnicos, trabalhando com o cinematógrafo Benjamin Loeb. “Sentimos que uma câmera portátil, que é uma escolha óbvia para essa [tomada], é muito pessoal”, explica Mundruczó. “Você sempre sente que há uma pessoa sob a câmera. Um show de dolly seria completamente estático e distante e, de certa forma, bastante manipulador.” Eles se conformaram com um gimbal – uma alternativa leve para uma Steadicam.

Dois dias antes das filmagens, o diretor conduziu a sequência meticulosamente com a equipe, atores, roteirista e uma especialista em parteira. “Nós examinamos camada por camada, pedaço por pedaço, se perguntando: o que é esta página? Qual é a mini história aqui? É como três atos em miniatura.” No entanto, houve poucos ensaios. “Não sou um grande fã de ensaiar cenas em um set de filmagem, porque muitas vezes isso vai contra a performance ao vivo. Se posso dizer, é um pouco como um trabalho de dublê. Muito planejamento, mas também com incerteza”.

O PARTO

A sequência foi filmada no primeiro dia de filmagem, com seis tomadas em dois dias, e Mundruczó confirma que “não há cortes ocultos” na cena. Para os atores – Vanessa Kirby e Shia LaBeouf como os pais, e Molly Parker como a parteira – foi um início de filmagem completo, principalmente para Kirby.

Em primeiro lugar, ela não tem um bebê [na vida real]. Então o que ela está fazendo é pura atuação. Estrelar uma cena como essa é realmente difícil. O que eu pedi a ela é: ‘Seja corajosa. Vá para as suas fronteiras e tente cruzá-las.’ Ela simplesmente saltou para dentro. Que poder.

A sequência lentamente se transforma de um momento familiar alegre em uma ansiedade de parar o coração, à medida que complicações com o nascimento começam a surgir. Mas o realismo sempre foi fundamental. “Nunca peço que entrem em pânico”, diz Mundruczó. “Sempre digo a eles: vamos resolver o problema da maneira mais objetiva possível. Esconda o seu pânico o máximo que puder. Como eles interpretaram isso é inacreditável para mim.

A cena surpreendeu os críticos quando foi apresentada nos festivais de cinema de Veneza e Toronto no início deste ano. Mundruczó só espera que tenha o impacto pretendido para o público. “Era algo muito pessoal”, afirma. “Um nascimento tem um poder mágico e universal.

HOME > SCANS | MAGAZINE SCANS > 2021 > EMPIRE UK (JANUARY)

   

HOME > FILMES | MOVIES > PIECES OF A WOMAN (2020) > STILLS

04.jpg 05.jpg 06.jpg 04.jpg





Esquire UK: Que momento para ter um momento, que ano para ser o seu ano. Se o mundo operasse em condições pré-pandêmicas, Vanessa Kirby, a atriz mais conhecida por interpretar a Princesa Margaret nas duas primeiras temporadas de ‘The Crown‘ da Netflix, estaria no segundo ou terceiro round, ou quem sabe quantos rounds, de uma turnê internacional de vitória, com os seus ouvidos zumbindo com os aplausos, olhos ardendo com os flashes da câmera, a cabeça girando com o coquetel intoxicante de jet lag e champanhe e aclamação. Em vez disso, a hora de Kirby é… agora? No meio… disso?

Então, ao invés de trotar pelo mundo, ela está mais em casa, como o resto de nós, no caso dela no sul de Londres, com sua a irmã e suas duas colegas de casa, assistindo a filmes antigos, cozinhando grandes jantares, preocupando-se com o estado do mundo e a sua profissão, ajustando-se ao fato de que quartas-feiras são repentinamente iguais aos domingos, sentindo falta do trabalho, mas sentindo-se grata pelo fato de que, ao contrário de muitos nas indústrias criativas, ela tem a segurança que vem com trabalhos de alto nível na TV e no cinema: “Meu amigos são gerentes de palco e estão trabalhando na Tesco, sabe?

Sobre a sua própria experiência na quarentena, ela diz: “Dormi muito, o que não faço direito há anos. Desenvolvemos uma rotina. Isso é algo que eu nunca tive na minha vida, esse tipo de estrutura.

Alguma revelação? “É calmante, não é? Eu acho que é o que os seres humanos realmente precisam.

Felizmente, houve uma saída profissional significativa, no início de setembro, quando Kirby compareceu ao Festival de Cinema de Veneza – um dos poucos eventos culturais físicos de 2020 que não foi cancelado ou adiado – no qual teve dois filmes em competição. Ela diz agora que foi tudo um borrão, e modestamente tenta mudar o foco para qualquer lugar menos sobre si mesma, mas o fato é que ela incendiou Veneza e voltou triunfante para casa, com a Taça Volpi de Melhor Atriz em sua bagagem de mão.

Foi premiada por sua atuação em ‘Pieces of a Woman‘, um drama lancinante de trauma, luto e disfunção familiar, no qual ela desempenha o papel principal – o primeiro, na telona – de Martha, uma jovem na Boston contemporânea cujo mundo desmorona quando ela enfrenta a morte de sua filha. As coisas não acabaram aí: Kirby também foi celebrada por ‘The World To Come‘, um filme incrivelmente belo ambientado em Massachusetts, embora desta vez em uma comunidade agrícola do século 19. Novamente, é um filme sobre amor, morte e perda e como reagimos a isso e tentamos reconstruir as nossas vidas.

Kirby agora é apontada como uma forte candidata ao Oscar de Melhor Atriz por ‘Pieces of a Woman‘, e os bookmakers estão dando a ela uma chance remota de Melhor Atriz Coadjuvante, também, por ‘The World To Come‘. Se ela estará em Los Angeles para comparecer à premiação pessoalmente – que foi transferida de sua data habitual de fevereiro para 25 de abril – ou assistindo em vídeo do sul de Londres, ainda não podemos saber. De qualquer forma, se ela ganhar um prêmio, meu dinheiro está em um discurso eloquente em que ela graciosamente recusa o crédito pessoal e presta homenagem a seus colegas e a todas as mulheres que sofreram destinos semelhantes aos de suas personagens.

Um mês depois de Veneza, em uma quinta-feira à hora do almoço, encontro Kirby no andar de cima na Electric House, um clube privado ligado a um famoso cinema antigo em Notting Hill, oeste de Londres. Hoje o cinema está, ao contrário de tantos outros, aberto para negócios. Na ausência de um novo produto de Hollywood, ele está exibindo clássicos que agradam ao público – ‘Quanto Mais Quente Melhor’, ‘Cinema Paradiso‘ – junto com o aparentemente obrigatório ‘Tenet‘.

Pieces of a Woman‘ irá – se as restrições de bloqueio do Reino Unido permitirem – desfrutar de uma exibição de uma semana nos cinemas no final do ano, antes da transmissão no início de janeiro. Eu assisti em uma sala de projeção do Soho, e embora não seja um daqueles espetaculares CGI trovejantes que são melhor vistos na tela grande para apreciar o Sturm und Drang completo, é um ataque altamente carregado aos sentidos de um tipo diferente. A notável cena de parto de 30 minutos, sem cortes, perto do início do filme, é uma das mais angustiantes e comoventes que me lembro de testemunhar no cinema.

Kirby é filosófica sobre a modesta exibição de seu filme nos cinemas. A desvantagem é que menos pessoas verão como deveria ser visto. Por outro lado, graças à Netflix, que comprou o filme em Veneza, infinitamente mais pessoas irão assisti-lo do que normalmente seriam expostas a um filme tão decididamente pessimista.

Em ‘The World to Come‘, dirigido por Mona Fastvold, Katherine Waterston interpreta Abigail, uma jovem doente de luto pela recente perda de sua filha de quatro anos. “Eu me tornei a minha dor”, diz ela. Em sua vida, como um meteoro, aterrissa Tallie com o cabelo em chamas, interpretada por Kirby: apaixonada, impulsiva e irreverente. “No sol de inverno que entrava pela janela”, escreve a diarista compulsiva Abigail, “sua pele tinha um tom rosa e violeta que me desconcertava tanto que tive de desviar o olhar”. E assim começa uma trágica história de amor.

Esse filme deve esperar até 2021 para o seu lançamento. Eu assisti no meu laptop, o que não é a maneira de ver um filme feito em locações em um deserto lindo e austero (a Romênia dobrando para o sublime americano) e impresso em filme 35 mm ao invés de rodado em digital. Na verdade, como Kirby admite, deveria ser visto em uma tela grande no escuro, ao lado de uma plateia de cinéfilos silenciosos, e não na mesa da cozinha, com pausas para lavar e descalcificar a chaleira e responder e-mails e deixar o cachorro ir para fora.

Mas nada disso parece ter prejudicado indevidamente o ânimo de Kirby. Ela me parece relativamente satisfeita em aproveitar o seu momento sob os holofotes de maneira silenciosa e distante. Talvez seja adequado para ela. No palco e na tela, Kirby possui um magnetismo raro: onde quer que ela esteja e o que quer que esteja fazendo, os seus olhos são atraídos para ela. Pessoalmente, ela é certamente glamorosa – alta e magra, com cabelo loiro bagunçado e olhos azuis claros que ficam grisalhos com a luz – mas a sua presença não é avassaladora, ela não altera a composição molecular da sala apenas por estar ali, ou qualquer uma dessas bobagens.

Ela está vestindo preto: suéter preto, calça preta, botas pretas. Seu esmalte também é preto. E o delineador dela também. Ela sempre se veste de preto, ela me diz. Não é, eu sugiro, uma cor usada por pessoas que querem se destacar na multidão. Ela diz que quando estava começando nos testes ela pintou o cabelo de castanho, para se certificar de que não poderia ser estampada nos papéis de plástico, como ela os chama. Cabelo castanho, ela percebeu, era neutro. Talvez, diz ela, as roupas pretas também sejam neutras. (Seu amigo Tim diz que ela parece um ladrão de banco.)

Compreensivelmente, talvez, muitas pessoas acreditam que ela tenha chegado totalmente formada ao set de ‘The Crown‘, a saga épica da família real de Peter Morgan. Mas Kirby não alcançou a fama da noite para o dia. Aos 32, ela tem sido uma estrela do palco britânico por uma década. Ela teve papéis de destaque em dramas de TV elegantes além de ‘The Crown‘, e no cinema ela misturou filmes de arte com blockbusters. Até onde ela consegue se lembrar, ela diz: “os meus dias têm sido preenchidos com pensamentos sobre atuar, tentando fazer isso, me perguntando como vou fazer, com vontade de fazer isso.

Não que ela esteja contente, agora que está fazendo isso, em confiar em seu sucesso. Seus modelos são atores que usam seu apelo mainstream para realizar trabalhos exigentes em filmes de grande impacto. Ela menciona Joaquin Phoenix em ‘Coringa‘ e é apaixonada pelas estrelas femininas sérias do mundo perdido do cinema dos anos 1970 – Jessica Lange, Meryl Streep, Jane Fonda – que poderiam ser protagonistas em sucessos mainstream, mas também protagonistas em dramas independentes desafiadores. Outra heroína é Gena Rowlands, particularmente em ‘Uma Mulher Sob Influência‘, o arrepiante melodrama de 1974 sobre política sexual, ruptura familiar e loucura, escrito e dirigido pelo pioneiro cineasta indie John Cassavetes.

Eu a amo”, ela diz sobre Rowlands naquele filme. “Sua bagunça. Sua força total, mas fragilidade total. Esse é o tipo de mulher que eu quero ver na tela, então posso dizer, ‘Oh, Deus, sou eu!’ Não é o tipo de mulher encaixotada, que é palatável; não, é a versão cinematográfica do que uma mulher deveria ser. Eu quero assistir mulheres na tela e interpretar mulheres na tela, para que minha irmã e meus melhores amigos e todos possam dizer, ‘Eu a conheço!’

O movimento #MeToo contra o assédio sexual e a discriminação, diz ela, “mudou as coisas da noite para o dia”. Antes, “acho que as pessoas simplesmente aceitavam que os homens são os heróis, eles seguem as jornadas, são os protagonistas e as mulheres são os papéis coadjuvantes: a esposa, a namorada”. Agora há, diz ela, “um desejo ativo para que as pessoas no poder criem peças [totalmente realizadas e tridimensionais] para mulheres. E a compreensão de que filmes dirigidos por mulheres podem gerar dinheiro.

Estou muito animada com isso”, diz ela. “Existem tantas histórias sobre mulheres que não foram contadas. E não se trata de colocar uma mulher em um papel masculino e ela interpretar o equivalente ao alfa masculino. Com o qual também não consigo me identificar. Não sinto que reconheço essa pessoa, esta mulher invencível. Eu quero ver mulheres que são humanas. Eu quero ver aquelas viagens realmente cruas e grandes que [as personagens femininas] costumavam ter. Eu realmente sinto que é a minha missão, desempenhar um papel em trazer isso de volta.

Eu me senti, olhando para a expressão dela, como se ela estivesse navegando a toda velocidade na maré.

É o que diz Katherine Waterston, como Abigail, da personagem de Kirby em ‘The World to Come‘. A missão de Abigail é “boiar em remansos” enquanto Tallie conquista oceanos. A linha é tirada diretamente, como muitas linhas do filme, do conto de Jim Shepard no qual ‘The World to Come‘ se baseia. E me parece se aplicar tanto a atriz quanto a personagem: séria, ardente, questionadora. “Acho que sempre quis fazer o que exigia mais de mim”, Kirby me diz. “Sempre procurei por isso.

Kirby sobre a Princesa Margaret: “Ela é uma mistura incrível, uma paleta de cores enorme. Ela tem esse alcance, isso é o que é tão divertido de interpretar. Em um piano, são todas as escalas. Essas pessoas são raras, especialmente na tela. Eu a amei por isso. Ela era a pessoa mais forte, a energia mais potente. Intensa como o inferno. Uma grande força vital. Queimando brilhante, vivendo forte. E ao mesmo tempo, por baixo, como uma garotinha assustada.

Tallie, em ‘The World to Come‘: “Ela pensa grande, além do que ela conhece. Ela entra em uma sala e pergunta: ‘Como posso ter a versão mais expansiva desta experiência?’

Martha, em ‘Pieces of a Woman‘: “Ela não deixa transparecer para as pessoas. Ela é minimalista. Ela fecha tudo.

Meu trabalho”, ela diz, “é entender por que alguém é assim. Para ter empatia. Para se perguntar, ‘Qual é a dor, a infelicidade?’ Para sentir isso. No final das contas”, diz ela, “provavelmente se trata de ser muito pequena e procurar outras coisas além do que eu sabia”.

Kirby cresceu em Wimbledon, o frondoso subúrbio do sudoeste de Londres. Sua mãe, Jane, era editora da Country Living. Seu pai, se você pode concordar, tinha um trabalho ainda mais importante do que editora de uma revista: Roger Kirby está aposentado agora, mas quando Vanessa estava crescendo, ele era um eminente cirurgião de próstata e professor de urologia, além de amante do teatro. “Ele é totalmente obcecado por Shakespeare”, diz ela. “Seu momento de glória foi interpretar Marco Antônio em ‘Júlio César’ na universidade. Acho que ele se imagina meio ator.

Vanessa tem um irmão mais velho, Joe, um professor e escritor e pensador proeminente em educação, e uma irmã mais nova, Juliet, uma assistente de direção de cinema e TV, a quem ela é dedicada. Para amigos e família, Juliet é Boo, Vanessa é Noo, a ponto de às vezes não se reconhecer quando o seu nome é falado em voz alta.

A infância deles foi privilegiada, mas não idílica: desde cedo, Kirby sofreu bullying na escola. Sua fuga foi a atuação. Ela era uma nerd de drama, frequentando clubes depois da escola e nos fins de semana. “Foi uma área em que fui totalmente aceita”, diz ela. “Um lugar onde eu podia realmente ser eu mesma.

Seus pais levavam ela e os seus irmãos em passeios regulares ao teatro. Ela fala em êxtase, inclinando-se para a frente, arregalando os olhos maravilhada, ao se lembrar de uma apresentação de ‘O Jardim das Cerejeiras‘ no National Theatre, estrelada por Vanessa e Corin Redgrave, quando ela tinha 11 anos. “Foi na rodada”, diz ela, “e eu estava ali naquele jardim com eles. Seja lá o que for essa magia, comecei a absorvê-la.

Em sua escola secundária feminina, ela conheceu uma professora, Monique Fare, que “adorava o fato de que alguém estava tão entusiasmada com Pinter quanto ela. Ela tinha um pequeno escritório e na hora do almoço nós líamos peças juntas.” No National Youth Theatre, “Lembro-me de entrar e pensar: ‘Oh! Vocês são o meu povo! Eu os reconheço!’ Era algo sobre ser desinibido. Não importa o que você faz, a sua aparência ou de onde você veio, todos estavam lá pelo mesmo motivo.” Há, diz ela, “uma bela comunhão que acontece em um espaço criativo como aquele. Você pode ser apenas você, sem julgamento.

A primeira vez que ela experimentou a emoção transformadora de se colocar dentro da cabeça de um personagem fictício, ou permitir que um personagem fictício habitasse a sua própria cabeça, estava interpretando Gertrude em uma produção escolar de ‘Hamlet‘.

Houve uns cinco ou dez minutos, quando eu estava fora do palco, quando pensei como ela. Eu não conseguia parar os pensamentos que vinham. No fundo da mente eu estava pensando, ‘Huh?’ E a próxima cena foi tão incrível de interpretar.

O que ela aprendeu com essa experiência é que, em vez de simplesmente fingir ser outra pessoa, “atuar é pensar. É literalmente ter os pensamentos de outra pessoa.

Aos 17, “terrivelmente despreparada e completamente sem noção”, ela se inscreveu em escolas de teatro, todas as quais lhe diziam que ela era muito inexperiente. Ela tirou um ano sabático, viajou nove meses e, quando voltou, já tinha um plano.

Eu pensei, ‘Eu tenho que ir para a universidade. Eu tenho que conhecer toneladas de pessoas que não são atores. Quero conhecer pessoas que fazem filosofia, ciências e matemática.’” Ela foi para Exeter para estudar inglês. “Conheci o grupo de amigos mais incrível. Foi uma loucura. Ficava acordada a noite inteira. E todos os dias das cinco às nove eu ensaiava peças com os meus amigos.” Quando o seu diploma estava terminando, “Eu sabia exatamente o que queria fazer da minha vida. Não tinha ideia de como eu faria isso, mas não queria olhar para trás e dizer que não tentei.

Ela foi aceita na LAMDA, a prestigiosa escola de teatro. Mas, a essa altura, ela já havia recebido a oferta de papéis significativos em três peças no Octagon em Bolton: ‘All My Sons‘ de Miller, ‘Espectros‘ de Ibsen e ‘Sonho de Uma Noite de Verão‘. Era 2010. Ela tinha 24 anos.

Rapidamente ela se estabeleceu como uma atriz principal no palco: Rosalind em ‘As You Like It‘. Masha em ‘As Três Irmãs‘. Stella em ‘Um Bonde Chamado Desejo‘, com Gillian Anderson formidável como Blanche, em uma produção que mais tarde foi transferida do Young Vic para a Broadway. A Stella de Kirby era sexy, carnal, voraz, a sua presença tão musculosa quanto a de Ben Foster como Stanley. A Variety a descreveu como: “a atriz de palco mais notável de sua geração”. Para aqueles que a viram, isso não soou como uma exagero. Mais recentemente, ela foi a personagem-título de ‘Julie‘, a reinterpretação de ‘Miss Julie‘ por Polly Stenham, o drama de classe e sexo de Strindberg, no National. Sua Julie era uma trágica festeira londrina, cheirando cocaína, petulante, solitária, mimada e astuta: outra atuação excelente.

Na telona, até recentemente, as suas partes eram, talvez, menos gratificantes. No ano passado, ela era a irmã arrasadora de Jason Statham em ‘Hobbs & Shaw‘, um spin-off da franquia ‘Velozes e Furiosos‘. Se nada mais, ela conseguiu balançar um capacete nas bolas de The Rock, uma experiência de contar aos netos e para adicionar ao momento em ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout‘ em que ela agarrou Tom Cruise. Muitos, senão todos os seus filmes e programas de TV têm sido divertidos (especialmente a franquia ‘Missão: Impossível‘, para a qual ela já assinou um contrato de duas sequências) e Kirby nunca está menos do que comprometida com eles, mas é difícil não simpatizar com ela em seu desejo de material mais substancial para trabalhar na tela.

The Crown‘ foi um assunto diferente. Aqui ela foi apresentada a uma personagem ousada e complicada vivendo uma vida grandiosa. Margaret de Kirby era deslumbrante, o seu carisma inegável. “Foi apenas um presente de papel”, diz ela. “Eu nunca esquecerei isso.” E, claro, mudou a sua vida.

Em ‘Pieces of a Woman‘, conhecemos a Martha de Kirby em seu último dia no escritório antes de ela tirar a licença maternidade. Vemos ela e o pai do seu bebê, que é um operário, em uma atuação excelente e discreta de Shia LaBeouf, ganharem um carro novo: um transportador de passageiros, pago por sua mãe autoritária, interpretada pela grande Ellen Burstyn.

Então, mergulhamos em um pesadelo doméstico: um parto em casa que, a partir do momento em que a bolsa de Martha rompe, claramente não está indo da maneira que deveria. “Isso é realmente horrível!” Martha geme. E, cruzando e descruzando ferozmente as pernas na sala de projeção, era difícil discordar.

Há outras cenas perturbadoras a seguir, mas nada que se compare àquela meia hora torturante e seu clímax devastador. A sequência foi filmada em um apartamento em Montreal. Kirby, LaBeouf e Molly Parker, que interpreta uma parteira, e o diretor do filme, o húngaro Kornél Mundruczó, foram acompanhados por uma doula da vida real, e juntos passaram um dia e meio pensando em como fariam o filme. Então, ao longo de dois dias, eles fizeram seis tomadas. A quarta tomada, filmada no final do primeiro dia, é a do filme.

Kirby realizou uma extensa pesquisa para se preparar: “Eu tinha que entender como é estar esperando o seu primeiro filho, o que nunca senti. Tive que entender o nascimento e o parto. Eu nunca tinha visto isso na vida real. E então entender a dor de não ter aquela pessoa para a qual você está se preparando em sua vida.

Ela assistia a documentários sobre parto, mas nenhum deles, ela sentia, mostrava o “horror disso, a loucura disso. Era tudo meio PG. Percebi que precisava tentar ver alguém em parto.” Ela encontrou uma ginecologista, Claire Mellon, no Hospital Whittington, no norte de Londres, que disse que ela poderia ir para a enfermaria de parto lá e, se uma futura mãe concordasse, ela poderia testemunhar um nascimento.

Uma tarde, Mellon disse a ela que uma mulher acabara de entrar, com uma dilatação de nove centímetros, e ela ia perguntar a ela. “E, claro, você pensa, ‘Por que ela deixaria uma porra de atriz aleatória entrar?’” Mas a mulher concordou. “E então eu sentei lá com o meu uniforme e observei por cinco ou seis horas enquanto ela passava por um parto realmente difícil, sem analgésicos. Um botão de emergência foi pressionado, uma pinça foi usada, era tão alucinante. Eu não poderia ter feito isso sem aquela mulher incrível me dando aquele presente.

Ela também passou um tempo com mulheres que sofreram natimortos. Ela se aproximou de uma pessoa em particular, Kelly, que havia perdido a filha, Luciana. “Passei muito tempo com ela e percebi que tenho o dever de fazer justiça à sua história, da maneira mais autêntica que puder. Essa se tornou a grande responsabilidade disso.

Digo a ela que não me lembro de ter visto essa história contada antes em um filme. “Estou tão orgulhosa disso!” ela diz. “Isso me deixa muito feliz!

Ao mesmo tempo, o filme é difícil de assistir, até para ela. “Eu estava tremendo na sala de projeção”, diz ela. E, lembrando-se agora, ela tem que lutar contra as lágrimas e parar por um momento para se recompor. Peço desculpas por incomodá-la.

Não se preocupe“, diz ela, enxugando os olhos. “Eu não me sinto mal. É uma memória sensorial. Não aconteceu, mas aconteceu.” Ela reformula isso. “Eu vivi isso, mas não aconteceu de verdade.” Ela ri. “É bizarro, eu sei.

Como, eu me pergunto, ela faz isso? Mais do que isso, por que ela iria querer se colocar deliberadamente na cabeça de uma pessoa que perde um filho?

É o meu trabalho”, diz ela. “E essa foi a parte mais gratificante. Algumas pessoas dizem: ‘Não foi difícil passar pelo parto?’ Eu fico tipo, ‘Não!’ Foi emocionante. Eu não dei à luz, mas experimentei o de outra pessoa.

Ela sente que deu à luz?

Sim.

Isso é loucura, não é?

Sim.

Porque ela não deu.

Mmm.

Mas Martha deu?

Exatamente.

Kirby tem trabalhado nisso desde aquele momento revelador como Gertrude, quando ela estava na escola. Em ‘The Crown‘, ela sentiu, entre as tomadas, que o que estava sentindo não eram as suas próprias emoções, mas as de Margaret. Acontece muito com ela. Kirby está interessada em estados de consciência, no inconsciente, na psicologia, na imaginação. Ela descreve a atuação como “uma espécie de pseudo-vida“.

É quase como um sonho lúcido”, diz ela. “Como quando você acorda de um sonho e ele realmente fica com você. Você não tem certeza: isso realmente aconteceu ou você apenas imaginou?

Algo, talvez, como a experiência de viver o ano passado, que muitos de nós experimentamos, às vezes, como onírica, alucinatória, surreal: “como estar no cinema”, como às vezes dizemos. Talvez, pensando bem, Vanessa Kirby seja a atriz perfeita para este período tenso e assustador. Talvez o seu momento tenha chegado na hora certa.

Aprendi a entender isso”, diz ela, sobre o sonho lúcido. “E eu sei como fazer isso sem torná-lo arriscado. Eu tenho limites e tenho ferramentas. Depois de saber o que está acontecendo, você pode lidar com isso.

Pieces of a Woman‘ deve ser lançado nos cinemas em 30 de dezembro e na Netflix em 07 de janeiro.

The World To Come‘ será lançado em 2021.

Este artigo foi retirado da edição de janeiro/fevereiro da Esquire, disponível agora.

HOME > ENSAIOS FOTOGRÁFICOS | PHOTOSHOOTS > 2021 > ESQUIRE UK (JANUARY/FEBRUARY)

01.jpg 02.png 04.png 05.jpg

HOME > SCANS | MAGAZINE SCANS > 2021 > ESQUIRE UK (JANUARY/FEBRUARY)

Page_00001.jpg Page_00020.jpg Page_00112.jpg Page_00113.jpg





Durante um seminário no EnergaCamerimage Film Festival dedicado ao drama ‘Pieces of a Woman‘, adquirido pela Netflix após a sua estreia em Veneza, o cineasta Benjamin Loeb e Kornél Mundruczó elogiaram o seu elenco, liderado por Vanessa Kirby e Shia LaBeouf no papel de um casal que lida com a perda trágica de sua filha recém-nascida. Kirby, que deixou a Itália com a Copa Volpi de Melhor Atriz, tem sido motivo de agitação em relação ao Oscar desde então.

Vanessa leu o roteiro em julho e ela estava em Budapeste em 24 horas. Ela ficou muito emocionada com isso”, disse Mundruczó.

Eu a conhecia de ‘The Crown’ e era um fã, mas a princesa Margaret não era tão próxima da [protagonista] Martha – a minha Martha. Quando nos conhecemos, percebi que há algo muito clássico nela. Ela é como todos os melhores ícones europeus, como Cardinale ou Schygulla, e é disso que este filme precisava. Martha tem uma conexão com alguém que perdeu, temos que sentir isso, e Vanessa poderia carregar a parte invisível da história. Por dentro, ela é rica como o inferno.

Mencionando o resto do elenco, que também inclui Ellen Burstyn como a mãe de Kirby e Molly Parker como uma parteira acusada de negligência criminosa, ele expressou a sua gratidão a LaBeouf. O primeiro que se dedicou ao filme, escrito pela parceira de Mundruczó, Kata Wéber, a partir da experiência que compartilharam, semelhante à do filme.

Há uma quantidade louca de poder nesta história. Você sente o peso dela, como uma pedra”, disse Mundruczó, que também dirigiu como peça de teatro. Para tornar a história cinematográfica o suficiente e marcar o seu primeiro movimento no cinema em inglês depois de ‘Deus Branco‘ e ‘Lua de Júpiter‘, ele recrutou a ajuda do DP Benjamin Loeb.

A espinha dorsal deste roteiro conta algo que é fundamentalmente difícil de comunicar e sempre gostei desse desafio. Também tenho esse desejo estranho de trabalhar com diretores que vêm de fora da indústria e gostei que Kornél veio do teatro e da ópera”, disse Loeb. “A primeira vez que conversamos, tivemos uma conversa muito estranha sobre a paternidade. Não falamos muito sobre o filme, mas queríamos que parecesse real e não muito ‘bonito’.

Usando pinturas como referência, incluindo as de Lucian Freud, eles decidiram fazer a cena definidora do filme, mostrando Martha de Kirby dando à luz, em uma única tomada. Admitindo que o dispositivo portátil parecia “muito humano”, eles acabaram usando o gimbal – uma primeira vez para Loeb.

Você precisa de um pouco de músculo nos lugares certos para fazer isso fisicamente e eu aprendi depois do primeiro dia que toda a equipe apostou que eu não seria capaz de fazer isso”, ele riu. “Mas quando você tem alguém como Vanessa e Shia, e Molly Parker, e sente a adrenalina deles, você apenas se alimenta dela.

As tomadas individuais costumam ser conectadas em tempo real e para nós era exatamente o contrário”, acrescentou Mundruczó. “O tempo real é comprimido, como quando você comprime o oxigênio em um tanque. Queríamos expandir.

Enquanto muitas cenas foram cuidadosamente coreografadas antes, no final das contas eles decidiram abraçar as imperfeições.

Em cada tomada, nunca houve um problema com as linhas, mas Shia tinha que ter esse telefone com ele. E ele parecia sempre perdê-lo no último momento da cena!”, observou Loeb. “Foi engraçado para nós, mas funciona no filme. Faz com que pareça real”, disse ele, acrescentando que decidiram tratar o filme como “cinéma vérité com um toque espiritual”.

Na cena do jantar [com o resto da família], você está esperando que Martha colapse. Você está esperando a grande luta”, disse Mundruczó. “O que filmamos é cheio de suspense, mas nunca chegaríamos lá se não fosse por este senhor aqui, sempre me forçando a falar sobre uma cena e sobre o que realmente precisamos expressar.

Nunca se tratou de encontrar uma versão perfeita, mas de encontrar uma versão perfeitamente falha do que funciona”, acrescentou Loeb. “Shia e Vanessa fumegavam o tempo todo, por exemplo, eu também, e muitas vezes víamos este grande carregador na sala. Perguntei a Kornél: ‘Devemos remover isso?’ Ele disse: ‘Não’.

Fonte I Traduzido e Adaptado por: Laura I Equipe do VKBR





A premiação Sunset Circle Awards, que terá a sua edição inaugural neste ano, anunciou os seus indicados hoje (24.11). Sendo assim, Vanessa foi indicada na categoria de Melhor Atriz pela sua performance como Martha em ‘Pieces of a Woman‘. Os vencedores em todas as categorias serão anunciados em 01 de dezembro. Confira:

MELHOR ATRIZ

Morfydd Clark – Saint Maud

Glenn Close – Hillbilly Elegy

Viola Davis – Ma Rainey’s Black Bottom

Vanessa Kirby – Pieces of a Woman

Carey Mulligan – Promising Young Woman





Harper’s BAZAAR US: Quando Vanessa Kirby tinha 21 anos, ela fez uma performance de ‘Sonho de Uma Noite de Verão‘ no Teatro Octagon em Bolton, nos arredores de Manchester, Inglaterra. Ela interpretou Helena, apaixonada por Demétrio, que em vez disso está apaixonado por Hermia. “Todas essas escolas costumavam vir, um monte de crianças”, diz ela. “Eles estavam sempre super entediados ou inquietos.

Durante o seu monólogo em uma apresentação, falando desesperadamente de um amor que foi frustrado, alguém deixou cair uma caixa de doces escada abaixo, e eles rolaram por todo o palco na frente dela. “E eu estava tipo, ‘Oh, Deus, merda. O que estou fazendo errado?’ E então eu vi uma garota, à esquerda. E ela tinha, não sei, 13 anos ou algo assim, e ouvia cada palavra”, lembra Kirby.

E havia algo naquela garotinha que queria ouvir o que Shakespeare estava dizendo, através de mim… talvez ela estivesse sentindo algo”, diz ela. “Então, eu simplesmente fiz isso para ela.

Kirby, 32, é magnética, mesmo no Zoom – há uma maneira de a textura da tela mudar, ficar mais animada, quando ela aparece em qualquer tela – e assisti-la recontar essa história foi como um vislumbre de como ela é capaz de canalizar desconforto no desempenho.

Ela está à beira de entrar na cobiçada categoria de ator indicado ao Oscar, e de descobrir o tipo de ator que deseja ser. Ela experimentou franquias de ação – atualmente está filmando os próximos dois episódios de ‘Missão: Impossível‘, continuando o papel da Viúva Branca que ela originou em ‘Missão: Impossível – Fallout‘ de 2018 e estrelou o último filme ‘Velozes e Furiosos‘ – e é mais conhecida por sua atuação devastadora como Princesa Margaret nas duas primeiras temporadas de ‘The Crown‘. É o seu último papel, no entanto, no primeiro filme em inglês do diretor húngaro Kornél Mundruczó, ‘Pieces of a Woman‘, que estreia na Netflix em janeiro, que promete impulsionar Kirby para o próximo nível. Seu retrato de Martha está sendo apresentado como um avanço; o termo “digno de um Oscar” foi pronunciado inúmeras vezes.

Nós nos conhecemos no Zoom em um sábado: ela estava em Londres; eu estava em Nova York. Era a minha manhã, o seu início de tarde. Nós duas usávamos gola alta. Planejei tomar notas enquanto conversávamos, mas em vez disso me inclinei para frente, extasiada. Nós duas gesticulamos muito. ‘Pieces of a Woman‘ é sobre maternidade e luto. O filme, com roteiro de Kata Wéber, é estrelado por Kirby e Shia LaBeouf como um casal cuja filha morre durante o parto em casa; é assídua e inflexivelmente crônica de sua luta para chegar a um acordo com a perda.

A cena de abertura de ‘Pieces of a Woman‘ é uma tomada de quase 30 minutos de um parto que termina com a morte do bebê. A cena é dolorosa, linda, assustadora – momentos dela parecem horror. Kirby diz que cada vez que terminavam de filmar, ela e os seus colegas atores sentiam uma espécie de êxtase, correndo para a neve – eles se abraçaram e gritaram; Kirby soluçou depois da primeira vez. “Foi completamente surreal porque estávamos lá”, diz ela. “Nós estávamos lá. Fomos testemunhas de algo”.

Kirby, que não tem filhos, se preparou para essa cena durante meses. “Comecei a assistir a tudo que pude encontrar”, diz ela. “Documentários sem fim, vídeos de parto em casa, mas tudo era tão higienizado; tudo foi tão editado.” Ela finalmente entrou em contato com uma obstetra, Claire Mellon, que concordou em deixar Kirby acompanhá-la. Kirby teve que ir para outro filme e teve apenas duas semanas na enfermaria de parto, no Hospital Whittington em Islington. Mulheres grávidas que ela conheceu concordaram em deixá-la assistir ao parto, mas nenhuma delas acabou entrando em trabalho de parto durante o período em que ela esteve lá. No último dia, “Eu estava com a minha mala e estava voando para a Romênia naquela noite [para filmar ‘The World To Come’], e uma mulher veio com nove centímetros de dilatação. Claire disse: ‘Vou perguntar a ela’.” Para a surpresa de Kirby – “Por que alguém iria querer um estranho lá? Uma atriz? Durante este momento tão sagrado?”- a mulher concordou. “Eu a observei por seis horas passar por um parto realmente difícil, sem analgésicos, fórceps. Ficou muito, muito difícil… . Eu a observei partir em uma jornada completamente solitária, como uma odisseia, pelo mais primitivo, quase divino… E eu vi o poder e o medo em tudo isso.

Eu me tornei muito mais mulher ao apreciar a sacralidade do feminino de uma forma que não acho que tenha percebido totalmente”, Kirby me diz. “Sinto como se tivesse vivido algo na experiência humana que não tinha vivido antes.

Em partes da cena, enquanto o meu marido e eu assistíamos, eu olhei para ele, e ele estava, assim como fez por algumas das 40 horas em que estive em um trabalho de parto muito complicado, olhando para o seu telefone para evitar ter que olhar isso. “Não tenho certeza se posso terminar isso”, disse ele.

Em um ponto durante a cena, a personagem de Kirby, Martha, começa a arrotar. O terceiro arroto, digo a Kirby, foi o momento em que o meu marido teve que desviar o olhar. Ajuda-nos não apenas a ver, mas também a cheirar as várias dimensões do corpo feminino, como está próximo do animal, como está Martha à sua mercê.

E ainda assim Kirby consegue habitar o poder naquele momento. Ela diz sobre assistir ao trabalho de parto naquele dia: “Trouxe tudo o que eu meio que conhecia intelectualmente, ou seja, isso é como a magnificência de ser mulher, e sua criação essencialmente… . Quase deu à luz o filme dentro do meu coração.

Kirby também fala sobre o desconforto como uma oportunidade de forçar as pessoas a olhar para as coisas e pensar sobre coisas que não poderiam de outra forma. “Acho que entrar em contato com algo que deixa alguém profundamente desconfortável e sentindo profundamente…”, diz ela. “Eu acho que você busca além, você busca lugares externos que você normalmente procura, para resolução, ou para compreensão, ou para conexão.

A ideia de que não há espaço para as mulheres falarem, para serem ouvidas quando se trata dos traumas que nossos corpos vivenciaram, parece tão arraigada no que é viver dentro de um corpo feminino que parece necessário dizer em voz alta o quão importante esse filme parece. E quando se trata de perda infantil e aborto espontâneo, em particular, esses silêncios parecem muito mais contundentes, já que tantas vezes as mulheres – e Martha de Kirby não é exceção – interpretam erroneamente essas experiências como sua culpa. Mas se a manifestação de sentimento que surgiu na sequência da postagem de Chrissy Teigen sobre a sua perda de gravidez for alguma indicação, ‘Pieces of a Woman‘ poderia funcionar também como um catalisador para mais dessas conversas, outra oportunidade para mulheres que sofreram esses traumas e essas perdas para encontrar espaços para se sentir vista e compreendida. Pergunto a Kirby o que ela aprendeu nessas observações antes das filmagens: “Conhecer a dor”, ela me diz, “é poder”.

A cena do parto no filme nos dá desconforto; inicia uma descida em uma dor quase inimaginável, mas então Kirby representa pelo resto do filme outra forma de ser, mais difícil e mais complicada, talvez, de habitar como ator, o que significa uma forma quase estultificante de se trancar acima. Martha não grita; ela dificilmente fala durante muitas das cenas. Em vez disso, o filme parece chegar a algo mais verdadeiro, mais profundo, sobre a experiência singular do trauma feminino – o modo como tantas vezes a expectativa é apenas ficar quieto e continuar.

Em ‘The Crown‘, Kirby como Margaret chora e grita; ela instiga. Seus olhos estão quase sempre úmidos. Ela executa o seu luto apenas porque o desempenho é talvez a única maneira que ela conhece de fazer as pessoas olharem. Existe uma sofisticação, mas também uma rendição e uma resignação em conhecer os limites deste tipo de atuação. Kirby assumiu um papel mais difícil com Martha, que permanece presa e estoica quase o tempo todo. “Eu estava preocupada”, disse Kirby. Ela gesticula para me mostrar o comprimento de um piano. “Martha está funcionando em uma escala mais limitada.

Falando da capacidade de Kirby de realizar essa agonia sutil, o diretor do filme, Mundruczó, diz: “Ela tem esse nervosismo dentro dela”. Ele compara o seu magnetismo a Catherine Deneuve. “Você tem que encontrar alguém que seja rico por dentro. O ícone, que acredito que seja, dá para se ver dentro dela. Ela está sempre olhando para você de alguma forma.

Não tenho certeza se alguma vez, como mãe, como mulher, fiquei tão completamente comovida por uma performance; na minha opinião, a grande arte é um processo de obrigar as pessoas a olhar, e há algo extraordinário no que Kirby nos força a ver. Ela diz que queria “servir às mulheres que passaram por isso“, mas também “luto em geral“. “Quase quero que o filme segure as mãos das pessoas de alguma forma”, Kirby me diz. “Para se sentir menos sozinho por causa da experiência compartilhada que é.

A segunda de três filhos, Kirby nasceu e foi criada em Wimbledon, com uma mãe editora de revista e um pai urologista. “Sempre me senti muito diferente na escola quando era pequena e muito solitária”, ela me conta. Ela estudou inglês na University of Exeter e recusou uma vaga na prestigiosa London Academy of Music & Dramatic Art (LAMDA) para interpretar Arthur Miller, Henrik Ibsen e Shakespeare com David Thacker no Octagon Theatre. Ela sempre quis ser atriz: “Achei que o espaço do drama e do teatro era o que menos julgava”, diz ela. “Senti que os meus espaços mais calmos, mais conectados e mais aceitos foram sempre esses.

Se houver um limite em suas performances díspares, é “subversão“, diz Kirby. Encontrar papéis em que as personagens sejam “inconformadas… a marginal, ou a estranha, ou aquela que vive na periferia”. Eu acrescentaria que existe uma abertura, uma confiança e uma vontade de entrar em espaços que parecem desconfortáveis ​​e difíceis. Durante as filmagens de ‘Missão: Impossível — Efeito Fallout‘, Kirby ficou descalça durante as filmagens como forma de viver essa subversão. “Eu queria ser algo diferente do que outra femme fatale.

Um dos momentos mais comoventes em ‘Pieces of a Woman‘ acabou sendo uma escolha improvisada, impulsionada por Kirby. A mãe de Martha, interpretada por uma impassível e atordoante Ellen Burstyn, grita com a sua filha para convencê-la a testemunhar no tribunal contra a parteira acusada de causar a morte de seu bebê. A personagem de Burstyn é implacável. Seu rosto fica vermelho. Pouco antes de filmarem a cena, Burstyn diz que Kirby a abordou: “Faça-me ir ao tribunal”, Kirby disse a ela. Burstyn diz que repetiu as falas que recebeu, cada parte que praticou, mas ela sabia que ainda não havia convencido Martha a ir ao tribunal. “Então, continuei”, diz Burstyn. “Não me lembro do que disse depois disso.” Ela ri.

Peço a Burstyn que explique como Kirby conseguiu fazer com que ela se abrisse daquele jeito (e não perguntou, mas pensou: “Que atrevimento!”, ao pressionar um ícone como Burstyn dessa forma). “Você não pode explicar a magia”, diz ela.

Mundruczó descreve esse processo como necessário para fazer o filme parecer real. “Você tem que esperar que coisas assim nasçam na sua frente”, diz ele. “É necessária uma confiança incomensurável.” Você espera, acrescenta ele, e abre espaço para: “[o] que eles criam é muito mais do que o que você tem na página”.

Pergunto a Burstyn, conhecedora de retratar mulheres complicadas, o que ela acha que Kirby conquistou neste filme, e ela pensa por um minuto antes de responder. “Crueza,” ela diz. “Vanessa está ajudando a revelar a profundidade da feminilidade de uma forma que é verdade.

Crua” – é a mesma palavra que o criador de ‘The Crown‘, Peter Morgan, usou para descrever a atuação de Kirby. Esse tipo de desempenho derivava de uma força interna inefável. Ele lembra o teste dela para a Princesa Margaret como “catastrófico em todos os sentidos“. Ela tinha “um bronzeado falso espalhado em todas as canelas, mas ainda mais nas palmas das mãos, que eram de um tom mais escuro do que o resto dela. Ela estava suando”, ele continua. “Foi tão terrível.” Ele ri. E ainda, como Morgan diz, mesmo “o turbilhão de energia e caos” com que ela entrou não poderia distrair de “sua honestidade, eletricidade e magnetismo. O destemor e a exposição crua de si mesma”, ela demonstrou em tudo o que fez. “Essa mulher vai ser mágica”, ele se lembra de ter pensado. “E isso é comprovado.

O pai de Kirby é um conhecido cirurgião de próstata que tratou pacientes com câncer. “Eu o vi salvar a vida das pessoas e aqui estava eu, subindo no palco”, ela me diz, “vestindo essas fantasias bobas. Nunca pensei que fosse mais importante do que qualquer outra pessoa.” E, no entanto, enquanto converso com Kirby, enquanto penso no ano passado sobre o que é importante para mim, como a arte pode funcionar em tempos de crise, a ideia de abrir espaço para que outras pessoas se sintam profunda e complexamente parece mais urgente do que sempre foi. “Sei disso pela minha experiência”, diz Kirby, “sempre que tenho os momentos mais difíceis, acho que você quer transcender isso, então você pesquisa mais. Então, quando as pessoas me dizem: ‘Deus, isso deve ter sido tão difícil’, eu digo na verdade: ‘Foi realmente a experiência mais profunda’. Porque eu tenho que ir para um lugar que eu não tinha estado antes, e que me mudou, sabe?

Eu sinto que a fé”, ela acrescenta, “que a criatividade e a arte – e isso inclui o público como uma parte essencial dessa relação – que nos momentos mais sombrios, a criatividade, eu acho, tem esse impulso de florescer de alguma forma, para falar sobre experiência. Tenho fé que haverá muitos espaços onde as pessoas encontrarão a necessidade de falar.

Este artigo foi publicado originalmente na edição de dezembro de 2020/janeiro de 2021 da Harper’s BAZAAR US, disponível nas bancas de jornal em 1º de dezembro.

HOME > ENSAIOS FOTOGRÁFICOS | PHOTOSHOOTS > 2020 > HARPER’S BAZAAR US (DECEMBER/JANUARY)

06.jpg 05.png 04.jpg 07.jpg

HOME > SCANS | MAGAZINE SCANS > 2020 > HARPER’S BAZAAR US (DECEMBER/JANUARY)

01.png 01.png 01.png 01.png

HOME > ENSAIOS FOTOGRÁFICOS | PHOTOSHOOTS > 2020 > SCREEN CAPTURES > HARPER’S BAZAAR US (DECEMBER/JANUARY)

Vanessa_03.jpg Vanessa_12.jpg Vanessa_23.jpg Vanessa_28.jpg





A Netflix divulgou o trailer oficial e o pôster de ‘Pieces of a Woman‘, filme estrelado por Vanessa como Martha e que foi adquirido pela plataforma após a sua estreia no Festival de Cinema de Veneza deste ano. Confira a sinopse do longa abaixo, logo em seguida o trailer legendado, e não deixe de acessar na nossa galeria as screen captures e o pôster:

Com direção do premiado Kornél Mundruczó (‘Deus Branco‘) e produção executiva de Martin Scorsese, ‘Pieces of a Woman‘ é um retrato profundo, intenso e transcendente de uma mulher (Vanessa Kirby, vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Veneza de 2020) reaprendendo a viver após uma grande perda.

HOME > FILMES | MOVIES > PIECES OF A WOMAN (2020)

Pieces_of_a_Woman_029.jpg Pieces_of_a_Woman_129.jpg Pieces_of_a_Woman_321.jpg Pieces_of_a_Woman_327.jpg

02.jpg 02.jpg 02.jpg 02.jpg





VARIETY: Há uma visão singular que o diretor Kornél Mundruczó teve ao construir “Pieces of a Woman”, e ele teve a total confiança de seus atores, especialmente Vanessa Kirby e Ellen Burstyn. O filme teve a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde Kirby ganhou a Copa Volpi de Melhor Atriz. Pouco antes de sua estreia em Veneza, o vencedor do Oscar, Martin Scorsese, se juntou ao filme como produtor executivo.

A frase “é difícil de assistir” é frequentemente falada em vários círculos cinéfilos quando se refere a experiências de cinema sombrias e nada agradáveis. Lembro-me de ter tido essas mesmas conversas sobre filmes como “Réquiem para um Sonho” e “O Filho de Saul”. Palavras semelhantes foram pronunciadas sobre o retrato de Mundruczó de perda e tristeza.

O papel de Martha, uma mulher cujo parto em casa termina em uma tragédia insondável, exigiu muito de Kirby, de 32 anos. Ela recebeu ótimas críticas por seu desempenho, colocando-se perto da vanguarda da corrida para Melhor Atriz deste ano.

Burstyn tem sido um marco na indústria cinematográfica por mais de cinco décadas. Ela conseguiu seis indicações ao Oscar ao longo de sua carreira, ganhando Melhor Atriz por “Alice Não Vive Mais Aqui“, de Scorsese, de 1974. Sua paixão e vigor por seu ofício são tão claros quanto qualquer ator dramático trabalhando hoje. Ao discutir a sua personagem Elizabeth, e sua filha Martha, que é uma sobrevivente do Holocausto de terceira geração, inspirada na própria experiência familiar da roteirista Kata Wéber, ela se torna visivelmente emocional.

Pieces of a Woman” marca a estreia na língua inglesa de Mundruczó, que ganhou seguidores apaixonados com o seu filme de sucesso “Deus Branco”.

Na noite de quinta-feira, em colaboração com o American Film Institute, a Netflix fará uma exibição com profissionais da indústria, críticos, jornalistas e membros da Academia.

A Variety conversou com Kirby e Burstyn antes da exibição.

Você teve uma carreira incrível e ainda está trabalhando de forma consistente. Você tem um método para escolher papéis neste momento de sua profissão?

Ellen Burstyn: Sempre que me fazem uma pergunta como essa, tenho a impressão de que as pessoas acham que recebo um milhão de ofertas e escolho a minha favorita, o que não é bem verdade. Eu não tenho que recusar muitos filmes. Se gosto do diretor, dos escritores e dos atores, estou propensa a aceitar porque, na verdade, não há muitos papéis escritos para uma mulher da minha idade. Então, quando eu consigo um, geralmente fico muito feliz em recebê-lo.

Nesse caso, eu vi “Deus Branco“, o filme de Kornel, e adorei. E eu vi Vanessa [Kirby] interpretar a princesa Margaret [em “The Crown”] e não assisto muito à televisão. Quando eu vi Vanessa, eu perguntei “quem é essa?” Pude ver imediatamente que ela era uma atriz especial, realmente talentosa. Extraordinariamente talentosa. Fiquei muito impressionada com ela. Então, quando eu tenho um cineasta que gosto, um roteiro que eu gosto e uma atriz como Vanessa, onde posso interpretar a sua mãe, é uma situação ganha-ganha-ganha. Isso não acontece com muita frequência. Os papéis que são escritos para uma mulher da minha idade não são abundantes.

Este papel exige muito de você, não apenas como atriz, mas como humana. Você pode falar sobre a sua experiência de filmagem?

Vanessa Kirby: Bem, em primeiro lugar, Ellen é uma das minhas heroínas. Fiquei tão animada que ela concordou em fazer isso. Ela sempre teve esse fogo pioneiro em todas as suas performances. Eu admirava tanto isso, como Gena Rowlands, o mesmo tipo de dinamismo. Estou muito feliz por tê-la em minha vida agora e ela é alguém que amo profundamente.

Quão exigente era no papel, e a ideia de saber que eu precisaria entender e entrar na psicologia desse nível de luto, enquanto tentava homenagear todas as mulheres com quem falei e que passaram por coisas semelhantes, parecia uma responsabilidade. Estou sempre procurando por algo que me assuste e que seja aparentemente intransponível, e só isso foi o nascimento, porque eu não dei à luz. Eu sabia que devia às mulheres tentar retratar o mais fiel possível. Tive muita sorte de ver alguém fazer isso de verdade, o que me ajudou incomparavelmente e eu não saberia como fazer sem ela me dar o presente de me permitir estar lá com ela.

A sequência de 23 minutos em que você dá à luz é incrível. Quantas tomadas você fez e pode falar sobre essa experiência?

Kirby: A filmagem real foi simplesmente estimulante. Foi a melhor experiência cinematográfica da minha vida. Fizemos quatro tomadas no primeiro dia e duas no segundo dia. Acho que Kornel usou a quarta. Era como fazer uma peça. Shia também é um verdadeiro animal de teatro, assim como Ellen, e todos nós entendemos o que isso exigiria. Foi emocionante configurar, preparar e, em seguida, lançar-se em queda livre. E então, no final, a palavra que falta lentamente? Fora disso – demorando muito para sair disso – e então reinicie tudo. Nós tocávamos música pela casa e dançávamos apenas para limpar o que tinha acontecido. No final disso, sua psique conhece algo diferente e você sente que realmente passou por isso.

Sua personagem é profundamente falha, mas com muito amor por sua filha. Você se inspirou em algo de sua própria vida como a roteirista Kata Weber?

Burstyn: Sempre retiro experiências pessoais. É apenas parte do que fazemos. Eu não sei como não fazer isso. Ela é um tipo engraçado de personagem [Elizabeth]. A história que Kata escreveu sobre como ela nasceu, com o aspecto do Holocausto do filme, é da família de Kata. A ideia de ser segurada de cabeça para baixo pelos pés e o médico dizer que se ela levantar a cabeça, ela sobreviverá. Esse é um conceito tão… profundamente comovente de como alguém vem ao mundo. Com vontade de viver, apesar da fragilidade do corpo. É tão comovente para mim. Isso explica muito sobre sua personagem e seu impulso para a frente. Aquela introdução maravilhosa da personagem que Kata escreveu. É uma versão meio patética do que quer que seja, faça melhor, vá em frente, faça. Não fique satisfeito com suavidade. Acho que ela é uma personagem muito forte, apesar de suas limitações. Ela não está em sintonia com a filha, mas às vezes as mães não estão.

Fale sobre a visão de Kornel do filme e como ele se compara a outros diretores com quem você trabalhou no passado.

Kirby: Eu sabia que o filme seria especial. Sempre sinto que os filmes dele têm muita alma e adoro filmes que têm muita alma. Eu sabia que essa era uma história pessoal de Kornel e Kata. Ele tinha uma visão tão clara e é tão relaxante quando alguém a tem. Ele teve uma visão tão ardente de Martha e precisando que aquela história fosse contada. Não é sobre a perda de um bebê, é mais um estudo do caráter de alguém que isso acontece. Como alguém reage ao trauma e como é o luto individual e ele me permitiu realmente moldar isso. Senti muito respeito e confiança por causa disso. Foi uma colaboração realmente profunda.

Burstyn: Eu simplesmente sinto seu senso de sensibilidade e é um ser humano tão querido. Amável e visionário. Eu senti que ele me permitiu dar o que eu tinha para dar. Nunca me senti interferida. Às vezes, os diretores têm uma ideia e dizem “talvez ela faça xyz” e você diz “o quê?” Gosto muito dele.

Se for indicada, Ellen Burstyn, você estabelecerá um recorde como a indicada mais velha de todos os tempos, aos 88 anos e 98 dias no dia da indicação. Como você se sente?

Burstyn: Isso é uma coisa maravilhosa. Na verdade, tenho um forte desejo de ser a pessoa mais velha já indicada. Isso é uma coisa encorajadora para eu dizer às mulheres do mundo, continuem caminhando, enquanto vocês puderem. Não desista, não se aposente, não sente e diga “bem, eu acho que acabou“, não acabou, até que você declare que acabou. Eu rezo para ser esse exemplo.

Ann Roth, a figurinista de “A Voz Suprema do Blues”, também da Netflix, que se for indicada, será a indicada mais velha, de qualquer categoria, aos 90.

Burstyn: Estou com ciúmes.

O que você acha das críticas que está recebendo e da possibilidade de estar na conversa de premiações?

Kirby: O filme parecia muito maior do que qualquer um de nós. Este é um assunto sobre morte neonatal. As mulheres com quem falei que tiveram natimortos e abortos espontâneos múltiplos e ainda é um assunto muito difícil de falar. O fato de você estar dizendo que essa conversa está acontecendo em torno deste [filme] significa muito para mim. Se isso significa que mais algumas pessoas assistam ou mais conversas começam a acontecer, e essa era a intenção de todos com isso. Os melhores momentos da minha vida profissional foi naquele parto. É difícil articular. Estou incrivelmente grata e comovida que seja para este filme. É o meu primeiro papel principal também e eu sabia que estava pronta. Eu esperei muito tempo. Assisti outras pessoas fazerem isso e absorvi tudo e me senti realmente pronta.

Burstyn: Querida, você é um exemplo brilhante do que é uma boa atriz. Você estudou bem e subiu no palco da maneira certa, que pelo o que eu sei, todo mundo que quer ser atriz deveria aprender o que está no palco. Você é uma glória absoluta como atriz, e como pessoa, devo acrescentar.

Eu queria que você fosse minha mãe.

Burstyn: Eu não posso te dizer quantas pessoas dizem isso para mim. Depois de “Alice Não Mora Mais Aqui“, me tornei um tipo de mãe arquetípica que as pessoas nunca tiveram e gostariam de ter.

Pieces of a Woman” estará disponível na Netflix a partir de 07 de janeiro.

HOME > FILMES | MOVIES > PIECES OF A WOMAN (2020)

03.jpg 08.jpg 03.jpg 08.jpg





parceiros
O Vanessa Kirby Brasil é um site sem fins lucrativos feito de fãs para fãs. Não possuímos nenhum contato com Vanessa Kirby, seus representantes ou familiares. Tudo o que publicamos é com o intuito de entreter e informar o nosso visitante. As imagens e materiais de mídia são publicados com base na lei americana de Direitos Autorais Fair Copyright Law 107 e são de propriedade de seus respectivos donos e representantes oficiais. Não pretendemos nenhuma violação de direitos autorais. Caso possua alguma reclamação sobre qualquer arquivo, por favor, entre em contato para que a(s) imagem(s) em questão seja(m) imediatamente removida(s).